Por Carolina Villela
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não conseguiu registrar sua candidatura à Presidência da República nesta quinta-feira (13), como estava previsto. O impedimento ocorreu porque os sistemas da Justiça Eleitoral passaram a apontar o parlamentar como filiado ao partido Missão, comandado por Renan Santos, e não mais ao PL, legenda pela qual ele planeja concorrer ao Palácio do Planalto.
Segundo a equipe de campanha, a inconsistência foi descoberta no momento de acessar os sistemas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para protocolar o registro. A certidão de filiação partidária emitida na manhã desta quinta mostra que Flávio teria se desfiliado do PL na quarta-feira (12) e, desde então, passou a constar como integrante do Missão — mudança que ele nega ter solicitado.
Situação “regular”, mas prazo já vencido
O documento aponta a situação eleitoral do senador como “regular”, apesar da alteração de legenda. O problema é que, mesmo que a filiação ao Missão fosse válida, Flávio não poderia disputar a eleição pelo partido, já que as convenções partidárias terminaram no dia 5 de agosto.
Partidos, federações e coligações têm até às 19h deste sábado (15) para registrar as candidaturas dos seus candidatos na Justiça Eleitoral.
Posicionamento do TSE
O Tribunal Superior Eleitoral informou que a filiação de Flávio Bolsonaro ao partido Missão não foi fruto de hackeamento do sistema de filiação partidária, mas sim de uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credencias da legenda para efetivar filiações.
Segundo o TSE, O presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, enviou uma representação à Procuradoria Geral Eleitoral para providências e determinou instauração de inquérito por parte da Polícia Judiciária. Já o Partido Liberal protocolou pedido de desfiliação do Missão, que já está sendo analisado pelo Tribunal.
Missão nega responsabilidade e aponta fraude
Em nota oficial, o Partido Missão afirmou ter sido “vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta de Flávio Bolsonaro”. Segundo a legenda, o próprio sistema identificou a irregularidade e tentou cancelar a filiação no mesmo dia em que ela ocorreu, mas o pedido foi rejeitado pelo TSE.
O partido também alegou que o gabinete do senador foi avisado sobre a tentativa de filiação desde o dia 2 de agosto, por e-mail. De acordo com a nota, as mensagens foram abertas, mas nunca respondidas pela equipe de Flávio.
Investigação e disputa entre as partes
O Missão informou que já acionou a Polícia Federal e o TSE para apurar responsabilidades pelo episódio, e prometeu divulgar à imprensa e às autoridades um relatório com logs, e-mails e endereços de IP relacionados à filiação contestada. A legenda ainda declarou não ter interesse em manter em seus quadros um parlamentar “que, para além do desalinhamento ideológico, figura em acusações e suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção”.
O Missão lançou como candidato ao Palácio do Planalto, Renan Santos. Também já registraram as candidaturas à presidência da República no TSE, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição; Hertz Dias (PSTU); Samara Martins (UP); Wilson Grassi (Democracia Cristã); o ex-governador Romeu Zema (Novo).