Por Jeffis Carvalho
A primeira vez que ouvi “Time”, com as cordas da guitarra e do baixo, pontuadas pela inspirada percussão, construindo um suspense em forma de música, ela era usada como trilha da chamada de “Os Invasores”, na extinta TV Tupi, Canal 4, no final de 1973. A série norte-americana, de 1967/1968, em duas temporadas, era reprisada porque agora pode dia ser como foi produzida originalmente: em cores, já que a TV colorida tinha sido inaugurada no Brasil um ano antes. Levei um tempo até descobrir, acho que alguns meses depois, que aquele tema marcante era a quarta faixa de um dos álbuns mais influentes e de maior sucesso da música no Século XX: “The Dark Side of the Moon”, do grupo britânico Pink Floyd – um dos ícones máximos do rock progressivo.
Considerado pela crítica um dos primeiros e definitivos álbuns conceituais do rock, o disco entrou na minha vida de forma avassaladora um ano depois de “Os Invasores”. E foram meses acompanhando o clássico seriado de ficção científica criado por Larry Cohen.
A trama da série acompanha o arquiteto David Vincent (interpretado por Roy Thinnes) que testemunha por acaso o pouso de uma nave espacial em uma estrada deserta. A partir daí, ele descobre que seres de um planeta em extinção estão tomando a forma humana para dominar a Terra. Como as autoridades e o público não acreditam nele, Vincent viaja sozinho e, depois, com a ajuda de poucos aliados, tenta impedir os planos dos alienígenas.
O sonoplasta da TV Tupi não poderia ter sido mais feliz ao escolher “Time” para as chamadas de cada episódio, exibidos semanalmente, acho que sempre às 11 da noite de sexta-feira. Ao descobrir de quem era a música e onde poderia encontrá-la, fui logo atrás daquele álbum. E ele foi um dos primeiros discos que comprei na vida. Com quase 16 anos e já trabalhando, descobri que uma música, com sua proposta sonora, melódica e conceitual poder mesmo abrir a mente da gente, a nossa percepção. Na época não fazia ideia do que podem ser os paraísos artificiais, mas hoje sei que vivi de certa forma em alguns ouvindo Pink Floyd. Principalmente a canção Us And Them, um verdadeiro portal para outras percepções.
Os bastidores da concepção, composição e gravação desse disco emblemático estão em Pink Floyd – The Dark Side of The Moon – The Making Of, que pode ser adquirido na loja da Apple TV. O documentário é editado com imagens desses bastidores da gravação e dos shows e narrado por depoimentos mais recentes dos quatro membros do grupo: Roger Waters, David Gilmore, Nick Mason e Richard Wright.
Roger lembra que a banda se viu um tanto desamparada depois que o líder e fundador Syd Barret enlouquece e precisou sair em busca de algo para seguir musicalmente em frente. David destaca que já perdia paixão por improvisos psicodélicos e buscava algo mais profundo. Nick diz que eles estavam prontos para pesquisas e ir atrás de outros sons. E Richard conta que ainda davam muita ênfase para a parte instrumental e Roger arremata que estavam prontos para seguir uma nova direção.
O documentário nos mostra que The Dark Side of de The Moon é resultado desse processo que leva mais quase cinco, com alguns bons álbuns que serviram de laboratório para se atingir essa nova direção, mais elaborada, mais conceitual, mais definitiva.
Anos depois quase dez anos depois de comprá-lo, já com ele dado como perdido nas minhas várias mudanças de casa, quando o Compact Disc chegou ao Brasil, ele foi o primeiro CD que comprei. E mais recentemente, há uns três anos, o meu amigo Carlos Eduardo Seo me presentou como uma edição especial do álbum em vinil.
Muito bom sempre ouvir o álbum, e vale a pena ver o documentário, adquirindo-o e, assim, tê-lo na sua biblioteca. Ele já está na minha.