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Tarifaço de Trump poupa 43% das exportações brasileiras com lista de exceções

Há 1 ano
Atualizado sexta-feira, 15 de agosto de 2025

O presidente americano Donald Trump confirmou a tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, mas criou extensa lista de exceções com quase 700 itens. A medida, que totaliza 50% com os 10% já aplicados em abril, poupou US$ 18,4 bilhões das exportações nacionais, equivalente a 43,4% do total vendido aos Estados Unidos.

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil estimou que das aproximadamente 4 mil categorias de produtos exportados pelo país, 694 ficaram isentas da sobretaxa. Setores estratégicos como aviação, petróleo e suco de laranja conseguiram escapar das penalidades comerciais americanas.

Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior e consultor, destacou a importância das exceções, mas alertou para impactos significativos. “Houve exceções importantes, principalmente petróleo, gás, celulose e suco de laranja. Mas muita coisa ficou dentro”, declarou Barral ao analisar o decreto americano.

Aviação e energia lideram setores beneficiados pelas exceções

Entre os principais beneficiados estão aviões e peças aeronáuticas, incluindo turbinas, pneus e motores para a indústria aeroespacial. A Confederação Nacional da Indústria identificou que 565 dos produtos isentos referem-se especificamente ao setor de aviação civil.

A Embraer, maior fabricante mundial de jatos regionais, avaliou positivamente a exceção da sobretaxa. A empresa brasileira domina o mercado americano de aviação regional, criando interdependência comercial que pesou na decisão de Washington.

Petróleo e derivados também ficaram protegidos, beneficiando exportações fluminenses que representam 60% das vendas do Rio de Janeiro aos Estados Unidos. O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás classificou a medida como reconhecimento do caráter estratégico dos produtos energéticos.

Setores do agronegócio divididos entre alívio e preocupação

O suco de laranja conquistou posição privilegiada na lista de exceções, aliviando o setor citrícola brasileiro. Ibiapaba Netto, diretor da CitrusBr, creditou o resultado à mobilização da cadeia produtiva americana, que depende do produto nacional para 56% de suas importações.

“Entendemos que é uma concessão feita pelo governo americano à indústria local americana, porque existe uma forte interdependência”, declarou Netto ao explicar a estratégia bem-sucedida do setor.

Porém, o café permaneceu no alvo das tarifas, preocupando o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil. O produto representa 30% do consumo americano e 16% das exportações brasileiras da commodity vão para mercado norte-americano.

Carnes e calçados enfrentam cenário mais desafiador

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes projeta impacto de US$ 1 bilhão apenas no segundo semestre. Roberto Perosa, presidente da Abiec, alertou que a tarifa de 50% somada à alíquota atual de 26,4% elevará a carga tributária total para mais de 76%.

O setor calçadista, que tem nos Estados Unidos seu principal parceiro comercial, fala em “danos irreversíveis” para exportações. Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados, estima impacto imediato em 8 mil empregos e pede programas governamentais de apoio.

A indústria têxtil também permaneceu vulnerável, com apenas cordéis de sisal escapando da sobretaxa. Fernando Pimentel, presidente da Abit, afirmou que a tarifa de 50% praticamente inviabiliza exportações de roupas para território americano.

Indústria defende negociação em vez de retaliação comercial

A Confederação Nacional da Indústria descartou possibilidade de retaliação e defendeu ampliação dos canais de diálogo com Washington. Ricardo Alban, presidente da CNI, caracterizou a medida como “relação de perde-perde para os dois países”.

“Não há justificativa técnica ou econômica para o aumento das tarifas, mas acreditamos que não é hora de retaliar”, declarou Alban ao defender estratégia de negociação com governo americano.

A pesquisadora Lia Valls, da Fundação Getulio Vargas, avaliou que o tamanho da lista de exceções resultou da pressão de empresas americanas que dependem de fornecedores brasileiros. Segundo ela, a medida demonstra dificuldades na negociação bilateral entre os países.

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