TSE determina que imagens de pessoas em propaganda eleitoral devem aparecer sempre borradas  – – –
Corregedor eleitoral nega pedido de Flávio para suspender canais do governo – – –
STF mantém regras de organização da Polícia Penal de São Paulo – – –
Presidente do TSE dá 24 horas à Meta para apresentar relatório técnico sobre canal ‘Exército do Lula’ – – –
TST aumenta 6x a indenização para gestante obrigada a vomitar em lata de lixo – – –
Médico condenado por ofensas a colega em denúncia ao conselho deve pagar R$ 3 mil – – –
Campanhas de Lula e Flávio entregam petição conjunta ao TSE para quebra de sigilos – – –
STF retoma julgamento sobre acesso a dados sigilosos em investigações criminais – – –
Após 240 dias de impasse, CNJ anula recusa e determina promoção no TJRN – – –
INSS não pode usar robôs para negar benefício sem permitir novas provas, decide STJ – – –

Uma aldeia, mais de mil nomes. O “Registre-se!” vai ao Vale do Javari (AM)

Há 7 meses
Atualizado quinta-feira, 12 de março de 2026

Por Jeffis Carvalho

No início de março, uma equipe de servidores, juízes e voluntários embarcou rio adentro com uma missão simples e urgente: levar documentos a quem nunca os teve. O destino era a aldeia Massapê, no Vale do Javari, no Amazonas, uma das regiões mais remotas do Brasil.  O resultado superou expectativas.

Entre os dias 3 e 5 de março de 2026, o mutirão “Registre-se — Brasil Parente” atendeu mais de 1,3 mil indígenas da etnia Kanamari. Para muitos deles, aqueles três dias representaram a primeira vez que existiram, oficialmente, perante o Estado brasileiro.

Existir no papel

Nascer, crescer e envelhecer sem um documento é uma realidade que pode parecer distante para quem vive nas cidades. No Vale do Javari, porém, essa ausência é parte do cotidiano de comunidades inteiras. A terra indígena, com cerca de 8,5 milhões de hectares na fronteira com o Peru, abriga a maior concentração de povos isolados do mundo e comunidades de contato recente, inseridas profundamente na floresta amazônica.

Sem certidão de nascimento, sem CPF, sem carteira de identidade, o acesso a saúde, educação, assistência social e programas governamentais simplesmente não existe. O registro civil é, antes de qualquer coisa, a porta de entrada para a cidadania — e foi exatamente isso que o mutirão tentou abrir.

Rio acima, burocracia abaixo

A estratégia do programa foi direta: em vez de exigir que as comunidades viajassem horas pelos rios amazônicos até chegar a um cartório em cidade distante, os serviços foram levados até elas. Os atendimentos aconteceram dentro da própria aldeia Massapê, eliminando o principal obstáculo histórico para essas populações — a distância.

O cartório extrajudicial realizou 700 atendimentos, com emissão de certidões, registros tardios, retificações e restauração de documentos. O Instituto de Identificação foi responsável por outros 425 atendimentos, emitindo CPFs e carteiras de identidade. O Núcleo de Justiça Itinerante do Tribunal de Justiça do Amazonas completou o trabalho com cerca de 200 orientações jurídicas.

Mais do que papel e carimbo

“Para muitos moradores da aldeia Massapê, esta foi a primeira oportunidade de obter um documento civil”, explicou Roberto Santos Taketomi, juiz-corregedor auxiliar e coordenador da ação. Para ele, o registro vai além da burocracia: é reconhecimento, é pertencimento, é direito.

A ação também incluiu atendimentos médicos e serviços hospitalares, reforçando o caráter integral da iniciativa. O mutirão consolidou o maior evento de registro civil já realizado dentro de uma comunidade indígena na região Norte do país — um marco que combina justiça, saúde e cidadania num único esforço coletivo.

Uma rede para chegar onde o Estado não chega

Por trás da ação, havia uma ampla articulação entre instituições. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Corregedoria-Geral de Justiça do Amazonas coordenaram o trabalho ao lado da Funai, da Prefeitura de Atalaia do Norte, da Defensoria Pública estadual, da Anoreg-AM, do Instituto de Identificação e do Cartório do Ofício Único de Atalaia do Norte.

Essa rede é o que torna possível chegar onde estruturas isoladas jamais conseguiriam. E é também o que transforma uma ação pontual em símbolo de algo maior: a ideia de que cidadania não pode depender de código postal.

*Com informações da Agência CNJ de Notícias e da CGJ-AM.

Autor

  • Jeffis Carvalho

    Jornalista há 45 anos, formado pela PUC de São Paulo. Foi diretor de Criação do Telecurso TEC da Fundação Roberto Marinho, roteirista do Programa Saia Justa, no GNT. É consultor, especializado em Branding e Comunicação Corporativa; pesquisador de cinema e editor de Cinema do Estado da Arte, do Estadão.

Leia mais

Sessão plenária do TSE

TSE determina que imagens de pessoas em propaganda eleitoral devem aparecer sempre borradas 

Há 2 minutos
Ministro e corregedor-geral da Justiça Eleitoral Ricardo Villas Boas Cuêva, do TSE, durante sessão

Corregedor eleitoral nega pedido de Flávio para suspender canais do governo

Há 38 minutos

STF mantém regras de organização da Polícia Penal de São Paulo

Há 41 minutos
Presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, durante sessão

Presidente do TSE dá 24 horas à Meta para apresentar relatório técnico sobre canal ‘Exército do Lula’

Há 56 minutos

TST aumenta 6x a indenização para gestante obrigada a vomitar em lata de lixo

Há 60 minutos

Médico condenado por ofensas a colega em denúncia ao conselho deve pagar R$ 3 mil

Há 1 hora