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Bolsas europeias e asiáticas disparam com cessar-fogo entre EUA e Irã

Há 7 meses
Atualizado quarta-feira, 8 de abril de 2026

Da Redação

Os mercados financeiros globais amanheceram em festa nesta quarta-feira (8). As bolsas asiáticas foram as primeiras a reagir, subindo com força logo pela manhã, impulsionadas pela queda nos preços do petróleo depois que EUA e Irã anunciaram um cessar-fogo de duas semanas — acordo que inclui a reabertura do Estreito de Hormuz, passagem estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial.

O movimento se espalhou rapidamente para a Europa. O índice STOXX 600, que reúne as principais ações europeias, avançou 3,6%, atingindo 611,73 pontos — o melhor desempenho em aproximadamente um ano, caso o ritmo se confirme ao fim do pregão.

O índice STOXX 600, que reúne as principais ações europeias, avançou 3,6%, atingindo 611,73 pontos — o melhor desempenho em aproximadamente um ano, caso o ritmo se confirme ao fim do pregão.

Na Alemanha, o índice DAX subiu 4,6%. Em Londres, o FTSE 100 avançou 2,3%. Setores como turismo, indústria e bancos foram os que mais ganharam, com altas entre 5% e 7%, puxadas pela expectativa de queda nos custos de energia.

Já as bolsas asiáticas foram as primeiras a sentir o alívio nesta quarta-feira, abrindo em forte alta logo pela manhã e derrubarem os preços do petróleo.

O índice japonês Nikkei 225 liderou os ganhos, com salto de 5%, chegando a 56.106 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi disparou 5,9%, atingindo 5.819 pontos. Austrália e Hong Kong avançaram 2,6% cada, enquanto a bolsa de Xangai subiu 1,7%, refletindo um otimismo mais cauteloso da China diante do novo cenário geopolítico.

O peso do Estreito de Ormuz

O ponto central de toda essa tensão é geográfico: o Estreito de Ormuz, passagem marítima entre o Irã e a Península Arábica, por onde circula cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo. Desde o início da campanha militar liderada por EUA e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, o bloqueio desse corredor vinha pressionando os preços do combustível e pesando sobre a economia europeia, altamente dependente de importações de energia.

Com o anúncio da trégua, os futuros do petróleo Brent recuaram 15%, caindo abaixo de US$ 100 por barril — um alívio significativo depois de semanas de preços elevados. O setor de energia nas bolsas, por outro lado, cedeu 4,2%, acompanhando a queda das cotações do petróleo.

Israel e o Líbano ficam fora do acordo

Apesar do clima de otimismo, há pontos de atenção. O governo israelense deixou claro que o cessar-fogo com o Irã não inclui o Líbano, onde as tensões continuam. Isso significa que o cenário no Oriente Médio ainda está longe de uma paz ampla, e os investidores sabem disso.

Além disso, o acordo tem prazo curto — apenas duas semanas —, e o mercado ainda observa com cautela se ele pode evoluir para uma solução mais duradoura. Por enquanto, o alívio existe, mas a incerteza não desapareceu.

Cautela ainda paira sobre os mercados

Nos próximos dias, os investidores europeus vão acompanhar de perto a divulgação dos dados de vendas no varejo e de preços ao produtor da zona do euro. Os números podem ajudar a entender melhor o impacto econômico das semanas de instabilidade no mercado de energia — e dar pistas sobre o ritmo de recuperação da região.

O entusiasmo dos investidores tem limite. Para Tim Waterer, analista-chefe da corretora KCM Trade, o momento é de otimismo com reservas — não de euforia. A trégua dura apenas duas semanas, e os mercados vão monitorar de perto se o tráfego pelo Estreito de Hormuz volta ao normal como prometido e se o acordo frágil pode evoluir para uma paz mais sólida e duradoura.

Por enquanto, o mercado respira. Mas com um olho aberto.

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