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Tenente-coronel acusado de feminicídio é transferido para a reserva da PM de SP

Há 5 meses
Atualizado quinta-feira, 11 de junho de 2026

Da Redação

A Polícia Militar de São Paulo publicou nesta terça-feira (9), no Diário Oficial do Estado, o despacho que transfere oficialmente para a reserva o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso preventivamente desde março sob acusação de feminicídio da soldado Gisele Alves Santana e de fraude processual — medida que, na estrutura militar, equivale à aposentadoria.

Decisão causa indignação na família da vítima

O ato foi assinado pelo coronel Antonio Thomazelli Júnior, diretor de Inatividade e Pensão Militar, e oficializou uma decisão que já havia sido anunciada anteriormente em portaria. A publicação gerou reação imediata do advogado Miguel José da Silva Junior, que representa a família da soldado Gisele.

Em vídeo publicado em seu Instagram, o advogado declarou ter ficado espantado com a rapidez da corporação em aposentar o oficial acusado de um crime tão grave. Para ele, a decisão demonstra que a PM está concedendo privilégios ao tenente-coronel.

“Essa aposentadoria não vai barrar o Conselho de Justificação, que vai demiti-lo. Nós temos convicção disso. Por outro lado, não é justo que esse cidadão, que cometeu um crime tão bárbaro, continue recebendo valores à custa da população e inclusive dos pais da Gisele, que pagam seus tributos”, afirmou o advogado em declaração pública nas redes sociais.

Relembre o caso

Gisele era casada com o tenente-coronel e foi encontrada morta com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento do casal, na capital paulista. O oficial acionou as autoridades e relatou a morte como suicídio. O registro foi alterado posteriormente para morte suspeita.

Laudos do Instituto Médico Legal (IML) identificaram marcas de agressão incompatíveis com suicídio. A família de Gisele contestou a versão apresentada pelo tenente-coronel desde o primeiro boletim de ocorrência. Ele está preso preventivamente desde 18 de março.

PM defende legalidade da transferência

Em nota, a Polícia Militar afirmou que a transferência para a reserva ocorreu em conformidade com a legislação vigente e que a medida não impede eventual responsabilização penal ou disciplinar do oficial. A corporação esclareceu que o vínculo financeiro do tenente-coronel passa agora a ser gerido pela São Paulo Previdência (SPPrev).

Segundo a PM, a perda do posto, da patente e da remuneração só pode ocorrer após decisão definitiva do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo. A corporação informou ainda que a Corregedoria concluiu o Inquérito Policial Militar (IPM) e o encaminhou à Justiça, assim como a Polícia Civil também concluiu seu inquérito e o remeteu ao Poder Judiciário.

Processos seguem em curso

O Conselho de Justificação (CJ), instaurado e publicado no Diário Oficial em 31 de março de 2026, segue em fase de instrução e tramita de forma independente do processo criminal. O advogado da família reforçou que é justamente esse conselho o caminho mais provável para a demissão definitiva do oficial.

Para a família de Gisele, a transferência para a reserva representa mais um capítulo de uma batalha que já dura meses em busca de justiça pela morte da soldado. Os processos nas esferas penal e disciplinar seguem em andamento.

Informações com Agência Brasil.

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