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Keiko alcança vantagem irreversível e deve ser eleita presidente do Peru

Há 4 meses
Atualizado quarta-feira, 24 de junho de 2026

Da Redação

Com 99,85% das urnas apuradas no Peru, Keiko Fujimori tem 50,11% dos votos válidos contra 49,88% de Roberto Sánchez, uma diferença que já não pode mais ser revertida pelos votos restantes. O candidato de esquerda, no entanto, recusa-se a reconhecer o resultado e diz que há fraude em curso na contabilização.

Vantagem matemática já é definitiva

A eleição presidencial do Peru caminha para um desfecho apertado, mas matematicamente decidido. Na madrugada de quarta-feira, Fujimori somava 9.206.241 votos, enquanto Sánchez tinha 9.162.855. Restam pouco mais de 40 mil votos para serem apurados em todo o país.

Mesmo que todos os votos pendentes fossem destinados a Sánchez, isso não seria suficiente para alterar o resultado final. Por isso, embora a proclamação oficial ainda não tenha sido feita, a vitória de Fujimori já é tratada como praticamente certa pelas autoridades eleitorais.

Sánchez denuncia fraude e convoca protestos

O candidato de esquerda reagiu ao cenário desfavorável afirmando, em coletiva de imprensa, que existe manipulação no processo eleitoral. Ele disse não reconhecer um eventual governo de Fujimori e chamou seus apoiadores para novos atos de protesto marcados para o próximo sábado.

Sánchez também acusou a ONPE, órgão responsável pela organização das eleições no país, e a própria campanha de Fujimori de cometerem irregularidades, principalmente relacionadas aos votos de peruanos que vivem fora do país.

A disputa pelos votos do exterior

O ponto central da contestação está nos votos dos peruanos no exterior. Nessa parcela do eleitorado, Fujimori tem ampla vantagem, com 63,2% das preferências. Já dentro do território peruano, é Sánchez quem está ligeiramente na frente, com 50,11% dos votos.

Por isso, na segunda-feira, o candidato de esquerda apresentou um recurso pedindo a anulação de cerca de 300 mil votos vindos do exterior, alegando falhas administrativas na organização do pleito fora do país. Segundo seus cálculos, sem esses votos ele teria uma vantagem de aproximadamente 25 mil votos sobre a rival.

Especialistas veem pouca chance de o recurso ser aceito

Advogados eleitorais consultados pelo jornal peruano El Comercio avaliam que o pedido de anulação não tem base jurídica sólida. Para esses especialistas, a medida funciona mais como uma forma de adiar a proclamação oficial do resultado do que como uma estratégia com chances reais de êxito.

Enquanto isso, o partido de Fujimori, Fuerza Popular, prefere agir com cautela. A legenda informou que vai esperar a conclusão total da apuração antes de declarar vitória oficialmente.

Congresso terá composição dividida

Independentemente de quem assuma a Presidência, o próximo Congresso peruano terá forças política divididas. O partido de Sánchez, Juntos pelo Peru, ficou com a segunda maior bancada, conquistando 32 das 130 cadeiras na Câmara dos Deputados e 14 das 60 no Senado.

Já o partido de Fujimori garantiu a maior bancada do país, com 41 cadeiras na Câmara e 22 no Senado, o que deve dar à futura presidente uma base política relevante, ainda que não majoritária, para governar.

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