Da Redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu nesta terça-feira (22) o Debate Geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, com um discurso centrado na soberania brasileira, em críticas ao Conselho de Segurança e em recados indiretos aos Estados Unidos. Crime organizado, feminicídio e eleições também estiveram na pauta.
ONU vive seu momento mais crítico, diz Lula
Foi a décima vez que Lula ocupou a tribuna na abertura da sessão, tradição brasileira mantida desde 1955. Ele afirmou que, desde sua estreia no púlpito, em 2003, nunca havia visto a organização numa situação tão delicada, e disse que discursava movido pela indignação.
Diante dos chefes de Estado reunidos no plenário, o presidente declarou que a ONU “está falhando em uma das suas missões mais elevadas”, a de livrar a humanidade da guerra. Ele atribuiu a paralisia ao direito de veto das grandes potências e pediu uma reunião dos líderes do Conselho de Segurança.
Lula lembrou que 2025 teve o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra e afirmou aos delegados que a guerra “é a falência total da política”. Sobre Gaza, classificou a ofensiva do governo Netanyahu como genocídio, condenou o terrorismo do Hamas e defendeu a relatora Francesca Albanese.
Recados a Washington e defesa da soberania
Sem citar Donald Trump, o presidente enviou sinais claros à Casa Branca. Ao falar da vizinhança com a maior potência militar do mundo, disse aos líderes presentes na Assembleia que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”. Também criticou a ingerência externa em eleições e o embargo a Cuba.
Na segurança pública, afirmou que o país está preparado para enfrentar as facções e que não vai terceirizar a defesa de suas fronteiras. “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas”, declarou na tribuna, ao defender cooperação contra o fluxo de armas e dinheiro, proposta que disse ter entregado ao presidente americano.
Lula citou ainda o centro de cooperação policial criado em Manaus com os nove países amazônicos, a maior operação contra o crime organizado da história do país, realizada em 2025, e a Lei Antifacção, que prevê penas superiores às aplicadas ao terrorismo.
Big techs, clima e minerais críticos
Lula cobrou a regulação das big techs e da inteligência artificial, criticou o que chamou de tecno-oligarcas e atacou a indústria das bets, que, segundo ele, lucra com o vício. O presidente prometeu ainda resistir a pressões de multinacionais interessadas em privatizar o Pix.
Na agenda ambiental, lamentou o desaparecimento do tema nos debates do G7 e do G20 e destacou a queda do desmatamento na Amazônia. Sobre minerais críticos e terras raras, afirmou que o acesso estrangeiro exigirá geração de valor e transferência de tecnologia em território nacional.
Feminicídio, escala 6×1 e eleições
Na área social, Lula defendeu o fim da escala 6×1 e disse que a mudança aliviaria a sobrecarga doméstica das mulheres. Ele afirmou buscar um país livre do feminicídio, onde nenhuma mulher viva sob ameaça de violência, causa que, segundo ele, o mundo inteiro precisa abraçar.
No encerramento, o presidente mencionou as eleições de 4 de outubro e disse ao plenário que os brasileiros decidirão “entre democracia e negacionismo”. Afirmou que alguns abusam da liberdade para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país e concluiu que a democracia brasileira pertence aos brasileiros.