União leva bets à Justiça e cobra custo do vício no SUS – – –
Fux suspende decisão de Dino e restabelece remoção de posts sobre Nossa Senhora Aparecida – – –
Ministro Zanin Martins, do STF, determina acesso gratuito a site de checagem e serviços do TSE – – –
Presidente do STM diz que velocidade da IA exige prudência sobre “impactos ainda desconhecidos” – – –
TST decide que sindicato pode defender um único trabalhador em todas as fases do processo – – –
STF condena Eduardo Bolsonaro a um ano de detenção por difamar Tabata Amaral – – –
Advogadas alertam para novo rigor dos precedentes e impacto na atuação nos tribunais – – –
Trabalhadores registram 583 denúncias de assédio eleitoral em 2026 – – –
Cadeirante será indenizado em R$ 5 mil após motorista da 99 recusar corrida – – –
Mortes em UTI no DF: juiz decide se técnicos de enfermagem vão a júri popular – – –
montagem de mãos sobre dados e celular representando apostas

União leva bets à Justiça e cobra custo do vício no SUS

Há 43 minutos
Atualizado terça-feira, 29 de setembro de 2026

Da Redação

A Advocacia-Geral da União (AGU) levou à Justiça uma nova frente do embate do governo federal com as empresas de apostas on-line. Em ação civil pública ajuizada nesta segunda-feira (28/9), na Justiça Federal em Pernambuco, a União cobra de 17 operadoras o ressarcimento dos gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) relacionados ao tratamento dos efeitos do jogo problemático e pede pelo menos R$ 1 bilhão por danos morais coletivos.

A ação acrescenta uma discussão jurídica à ofensiva do governo contra as bets: saber em que medida empresas que exploram a atividade podem ser responsabilizadas pelos custos que, segundo a União, recaem sobre o sistema público de saúde. As 17 empresas acionadas representam, de acordo com a AGU, cerca de 80% do mercado nacional de apostas de quota fixa.

Além do ressarcimento ao SUS e da indenização coletiva, a Advocacia-Geral pede que apostadores diagnosticados com ludopatia tenham restituídos em dobro valores apostados nas circunstâncias descritas na ação. Os pedidos ainda serão analisados pela Justiça e submetidos ao contraditório das empresas.

Conta do SUS será apurada

O valor de R$ 1 bilhão não corresponde à quantia que a União pretende recuperar para o SUS. Ele é o piso indicado pela AGU para a indenização por danos morais coletivos, fundada em alegadas violações à dignidade da pessoa humana e à proteção da família e de pessoas vulneráveis.

Já o montante dos danos materiais causados ao sistema público de saúde deverá, segundo o pedido, ser apurado posteriormente. Estudos preliminares do Ministério da Saúde citados na ação estimam impacto mínimo de aproximadamente R$ 2,6 bilhões.

A União sustenta ainda que as destinações previstas para a saúde não seriam suficientes para compensar esse impacto. Segundo os dados apresentados no processo, cerca de R$ 50 milhões foram destinados ao setor no último exercício.

AGU aponta aumento de 140% nos atendimentos

Para sustentar a cobrança, a AGU utiliza dados do Ministério da Saúde sobre os efeitos das apostas. Entre 2018 e 2025, os atendimentos relacionados a jogo patológico e problemas com apostas no SUS cresceram cerca de 140%, com projeção de novo aumento até 2028.

Dados oficiais apontam ainda que mais de 28 milhões de brasileiros haviam realizado apostas nos 12 meses anteriores à pesquisa utilizada pelo governo e que 10,9 milhões apresentavam padrão de jogo de risco ou problemático. O Ministério da Saúde trata o transtorno do jogo como uma questão de saúde pública associada, entre outros efeitos, a ansiedade, depressão, endividamento e conflitos familiares.

O SUS já disponibiliza atendimento presencial e assistência especializada a distância para apostadores e familiares. Desde agosto, a estrutura passou a oferecer capacidade de até 100 mil teleatendimentos mensais para problemas de saúde mental relacionados às apostas.

Quem deve pagar pelo impacto

No centro da ação está a tese de responsabilização das operadoras. A AGU argumenta que as empresas obtêm receita com as apostas enquanto parte dos custos associados ao adoecimento dos usuários é suportada pelo SUS e, consequentemente, pelo poder público.

A União também atribui às plataformas mecanismos destinados a ampliar o tempo de permanência dos usuários e a frequência das apostas. O Ministério da Saúde já havia apontado recursos como notificações, bônus, apostas em tempo real e recompensas variáveis entre os instrumentos capazes de estimular a repetição das apostas.

A existência desses mecanismos e a relação entre a atividade das empresas e os danos cujo ressarcimento é pedido, porém, integram a controvérsia que será examinada judicialmente. Caberá às operadoras apresentar suas defesas e contestar os fundamentos, dados e valores utilizados pela União.

Ação amplia disputa jurídica sobre bets

O processo foi apresentado três dias depois de o governo editar, em 25 de setembro, medida provisória que proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no Brasil, alcançando apostas esportivas e jogos on-line. A norma estabeleceu um cronograma para encerramento das operações e retirada dos valores mantidos pelos apostadores.

São, contudo, frentes jurídicas diferentes. Enquanto a medida provisória interfere na continuidade da exploração das apostas no país, a ação civil pública busca responsabilizar economicamente empresas por danos que a União atribui à atividade já desenvolvida.

A discussão sobre a proibição também chegou ao Supremo Tribunal Federal. Entidades do setor questionaram as novas regras, em processos sob relatoria do ministro Luiz Fux. Com a ação apresentada em Pernambuco, a disputa passa a envolver também a definição judicial sobre quem deve suportar os custos sanitários atribuídos pelo governo ao vício em apostas.

Autor

Leia mais

Fux suspende decisão de Dino e restabelece remoção de posts sobre Nossa Senhora Aparecida

Há 4 horas
Ministro Cristiano Zanin Martins, do STF. durante sessão

Ministro Zanin Martins, do STF, determina acesso gratuito a site de checagem e serviços do TSE

Há 13 horas
Presidente do STM, ministra Maria Elizabeth Teixeira Rocha

Presidente do STM diz que velocidade da IA exige prudência sobre “impactos ainda desconhecidos”

Há 13 horas

TST decide que sindicato pode defender um único trabalhador em todas as fases do processo

Há 13 horas
Eduardo Bolsonaro

STF condena Eduardo Bolsonaro a um ano de detenção por difamar Tabata Amaral

Há 13 horas

Advogadas alertam para novo rigor dos precedentes e impacto na atuação nos tribunais

Há 16 horas