Da Redação
A Polícia Federal concluiu, nesta quarta-feira (30/09) o inquérito da Operação Quasar, considerada um desdobramento da Operação Carbono Oculto, que investiga esquema gigantesco de lavagem de dinheiro e infiltração do crime organizado (notadamente o PCC) no setor de combustíveis e no mercado financeiro formal.
No caso da Quasar, realizada em São Paulo, foram indicadas 13 pessoas. Segundo a investigação, os envolvidos são executivos de fundos de investimento, corretoras e fintechs.A PF atribui aos investigados, no relatório, os crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta. O indiciamento é o ato pelo qual, ao fim da investigação, a polícia aponta formalmente quem considera responsável e por quais crimes.
Ajudantes dos líderes
Segundo a PF, os 13 investigados ajudaram o esquema comandado pelos empresários Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”. Os dois estão foragidos desde o ano passado e não eram alvo direto deste inquérito.
O relatório final da investigação já foi encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF). Nos próximos dias, o órgão deverá decidir se apresenta denúncia, que é a acusação formal à Justiça, se pede novas investigações ou se arquiva o caso.
Sonegação fiscal e outros crimes
Na conclusão do inquérito, o relatório da PF destacou ter reunido provas de que recursos provenientes de sonegação fiscal e de outros crimes no setor de combustíveis, atribuídos ao grupo econômico formado pela Aster Petróleo e pela Copape Produtos de Petróleo, foram inseridos no sistema financeiro e movimentados por meio de uma estrutura de contas e fundos de investimento.
Segundo a investigação, o esquema era usado para ocultar os verdadeiros donos do dinheiro e dar aparência legal a um patrimônio de origem criminosa. A PF também concluiu que as três empresas responsáveis pela administração dos fundos não foram apenas utilizadas pelos investigados, mas participaram da estrutura criada para esconder a origem dos recursos e seus beneficiários.
Infiltrações do PCC
Mensagens, contratos, planilhas, perícia contábil e extratos bancários obtidos com autorização judicial foram citados como provas. Com a comprovação dos crimes e a identificação dos envolvidos, a Polícia Federal encerrou a investigação.
A Operação Quasar foi uma das três operações realizadas em 28 de agosto de 2025 contra a suposta infiltração do PCC no setor de combustíveis e no sistema financeiro. As outras duas foram a Tank, da PF no Paraná, e a Carbono Oculto, do Ministério Público de São Paulo e da Receita Federal.
A Quasar teve como alvo uma suposta rede de lavagem de dinheiro e de fraudes na gestão de instituições financeiras, com indícios de ligação com facções criminosas. Naquele dia, a PF cumpriu 12 mandados de busca e apreensão na capital e no interior paulista. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 1,2 bilhão.
— Com Agências de Notícias