Da Redação
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um quarto mandato, no domingo (25), provocou uma série de manifestações de líderes internacionais, incluindo chefes de Estado com posições políticas distintas das do brasileiro. Na América do Sul, Javier Milei, da Argentina, tornou-se o único presidente a não reconhecer publicamente o resultado das urnas até segunda-feira (26), segundo levantamento divulgado pela imprensa nesta terça-feira (27).
O silêncio do argentino contrasta com as manifestações de governantes como José Antonio Kast, do Chile, Daniel Noboa, do Equador, e Abelardo de la Espriella, da Colômbia, que reconheceram a vitória de Lula apesar das divergências políticas. Também houve manifestações de presidentes da Bolívia, Paraguai, Peru, Uruguai, Guiana, Suriname e Venezuela.
Fora da região, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também não havia enviado cumprimentos ao brasileiro. Na segunda-feira, Trump questionou a eleição sem apresentar provas de irregularidades, embora tenha afirmado manter uma boa relação pessoal com Lula.
Milei mantém silêncio sobre resultado
O presidente argentino passou a segunda-feira em compromissos oficiais, incluindo uma reunião ministerial, sem fazer qualquer pronunciamento de reconhecimento da vitória de Lula. Milei compartilhou nas redes sociais publicações críticas ao presidente brasileiro, incluindo insinuações de irregularidades eleitorais sem apresentação de provas.
A postura ocorre após o apoio declarado do argentino à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). Durante a campanha, Milei participou de um evento do partido e fez críticas a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, provocando reações diplomáticas do governo brasileiro.
Na Argentina, o ex-presidente Mauricio Macri e seu partido, o PRO, reconheceram a vitória de Lula. O deputado oposicionista Esteban Paulon também cobrou um pronunciamento oficial da Presidência argentina sobre o resultado das eleições brasileiras.
Divergências políticas não impedem cumprimentos
Na Colômbia, o presidente Abelardo de la Espriella destacou que, apesar das diferenças ideológicas, a vontade popular deve ser respeitada. Ele também defendeu a continuidade da cooperação bilateral entre os dois países.
O presidente chileno, José Antonio Kast, telefonou a Lula e ressaltou a importância da integração econômica e do enfrentamento ao crime organizado. No Equador, Daniel Noboa destacou os desafios compartilhados pelos países latino-americanos e a necessidade de atuação conjunta.
A presidente peruana, Keiko Fujimori, também cumprimentou o brasileiro e defendeu o fortalecimento das relações bilaterais. As manifestações se somaram às de outros governantes da região, incluindo o presidente uruguaio Yamandú Orsi e a presidente mexicana Claudia Sheinbaum.
Europa, China e Rússia saúdam reeleição
Na Europa, Emmanuel Macron, presidente da França, parabenizou Lula e defendeu o aprofundamento da parceria estratégica entre os dois países. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, também comemorou o resultado, enquanto a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou a democracia e o multilateralismo.
O presidente russo, Vladimir Putin, enviou mensagem mencionando a soberania brasileira e a continuidade das relações bilaterais. O presidente chinês, Xi Jinping, felicitou Lula e ressaltou a parceria estratégica entre Brasil e China.
Entre os demais líderes que se manifestaram estão Narendra Modi, da Índia, Volodymyr Zelensky, da Ucrânia, Friedrich Merz, da Alemanha, Mark Carney, do Canadá, e Sanae Takaichi, do Japão. As mensagens abordaram temas como comércio, cooperação econômica, meio ambiente e relações diplomáticas.
Silêncio de Trump repercute nos Estados Unidos
A ausência de uma mensagem de congratulação da Casa Branca também foi registrada pela imprensa americana. A agência Associated Press informou que Trump questionou a contagem dos votos sem apresentar evidências de irregularidades no processo eleitoral brasileiro.
Em contraste com a posição do Executivo americano, parlamentares democratas reconheceram a vitória de Lula. Entre eles, Gregory Meeks, Jeanne Shaheen e Bernie Sanders divulgaram manifestações de apoio ao respeito ao resultado das urnas.