Da Redação
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (05/11) em meio à crise bancária observada no país e ao processo de impeachment de que é alvo. O processo foi aberto diante da acusação contra ele por parlamentares e políticos, tanto da oposição como também da base do governista, de que seu governo foi conivente com a quebra do banco digital Ueno.
A quebra da instituição bloqueou a conta de milhares de correntistas paraguaios. Peña fez o anúncio da renúncia por meio de um vídeo, se desculpou com a população, disse que também perdeu o acesso ao dinheiro e que seu gesto foi tomado “pensando na estabilidade do país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”.
Pedido de desculpas
“Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo. Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim”, ressaltou.
Tido como um político conservador, Santiago Peña era alvo de críticas por conta da crise bancária que começou após o Ueno fechar as portas. A oposição acusa o Banco Central paraguaio de encobrir as irregularidades da instituição financeira.
‘Escudo das Américas’
Peña era aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e integrava o chamado “Escudo das Américas”, grupo de presidentes de países da América Latinha ideologicamente alinhados a Trump. Mas, apesar disso, também tinha boa relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Durante a manhã, o Congresso do Paraguai iniciou uma sessão extraordinária para debater o pedido de impeachment e todas as bancadas da Câmara dos Deputados anunciaram que votarão a favor do impeachment.
Vice-presidente assume o poder
Mais cedo, aliados de Peña retiraram o apoio a ele e passaram a também pedir sua renúncia, além de defender o impeachment. Santiago Peña é economista e assumiu o governo do Paraguai em 2023. Seu mandato duraria até 2028. O vice-presidente, Pedro Alliana, assume o poder no país, mas Alliana também é alvo do processo de impeachment.
Economista, ele foi acionista do grupo proprietário do Ueno até março do ano passado. O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
O Ueno, que pertence ao Grupo Vázquez, fechou as portas terça-feira (03/11), depois que o Banco Central do país iniciou sua liquidação. A autoridade monetária identificou insuficiência de recursos para cobrir as obrigações relacionadas a empréstimos concedidos a empresas vinculadas à instituição.
— Com Agências de Notícias