Da Redação
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, deu prazo de 15 dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o pedido da Polícia Federal (PF) de prorrogação, por mais 90 dias, do inquérito que investiga suspeitas de irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A decisão foi tomada nesta quarta-feira (4), depois que a PF informou a necessidade de realizar novas diligências para esclarecer a origem e o destino de recursos utilizados na produção cinematográfica. O prazo inicial da investigação terminou em outubro, sem que os investigadores concluíssem a análise de documentos e movimentações financeiras.
O inquérito envolve suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Entre os nomes citados na investigação estão o senador Flávio Bolsonaro, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mário Frias, que participa da produção do longa-metragem.
PF investiga remessas milionárias ao exterior
Uma das principais linhas de investigação envolve transferências de US$ 12,3 milhões para o fundo norte-americano Havengate Development Fund. Os recursos teriam sido movimentados por meio da empresa Entre Investimentos e Participações, ligada ao empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro.
A PF procura esclarecer a participação do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e de Fabiano Zettel nas operações financeiras. Freixo afirmou ter realizado transferências a pedido de Zettel, com o aval de Vorcaro, mas declarou que acreditava estar investindo em empreendimentos imobiliários.
Entre as diligências pendentes estão uma perícia contábil-financeira do Instituto Nacional de Criminalística, a análise de dados telemáticos e a obtenção de documentos bancários e contratuais nos Estados Unidos. A produtora Go Up Entertainment condicionou a entrega de determinados registros à formalização de pedido de cooperação jurídica internacional.
Outra investigação apura uso de emendas
O financiamento de Dark Horse também é objeto de outra investigação no STF. Em setembro, o ministro Flávio Dino autorizou a Operação Make Up, destinada a apurar suspeitas de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares apresentadas pelo deputado Mário Frias.
Segundo informações oficiais do Supremo, a investigação examina repasses destinados ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura, entidades presididas pela empresária Karina Ferreira da Gama. A suspeita é de que parte dos recursos tenha sido utilizada em finalidades diferentes das previstas, incluindo a produção cinematográfica.
Flávio Bolsonaro nega irregularidades e sustenta que buscou apoio financeiro privado para viabilizar a produção. Mário Frias também rejeita as acusações de utilização indevida de dinheiro público. As suspeitas permanecem sob investigação.
Filme tem estreia adiada e pode ir para streaming
Paralelamente às investigações, o lançamento de Dark Horse enfrenta incertezas. A Europa Filmes, responsável pela distribuição no Brasil, descartou a estreia em 2026. A previsão passou para 2027, ainda sem data definida.
Reportagens publicadas no início de novembro apontam que a produção poderá ser lançada diretamente em plataformas de streaming. A possibilidade surge em meio às dificuldades de distribuição e às investigações sobre o financiamento, mas não há confirmação de mudança definitiva na estratégia de lançamento.
Estrelado pelo ator norte-americano Jim Caviezel, que interpreta Jair Bolsonaro, o longa é dirigido por Cyrus Nowrasteh e retrata episódios da campanha presidencial de 2018. A produção recebeu registro de obra estrangeira da Agência Nacional do Cinema (Ancine), mas ainda depende de outras providências para a exibição comercial no país.