Da Redação
Especialista afirma que ferramentas aceleram due diligence, revisão contratual e avaliação de riscos, mas não substituem o julgamento humano nem afastam a responsabilidade por eventuais falhas.
A incorporação da inteligência artificial às rotinas jurídicas tem transformado atividades como revisão de contratos, due diligence e análise de riscos, reduzindo o tempo de execução e ampliando a capacidade de processamento de informações. Ao mesmo tempo, o avanço dessas ferramentas levanta uma questão cada vez mais presente no ambiente empresarial: quem responde quando uma decisão apoiada por inteligência artificial resulta em prejuízo?
Para o advogado especialista em direito empresarial Sandro Wainstein, a resposta passa menos pela tecnologia e mais pela forma como ela é utilizada dentro das organizações. Segundo ele, a inteligência artificial deve ser compreendida como uma ferramenta de apoio à tomada de decisão, e não como um agente capaz de assumir responsabilidades jurídicas.
“A inteligência artificial consegue identificar padrões, organizar informações e acelerar análises que levariam horas ou dias para serem realizadas. Mas ela não substitui o julgamento humano. A decisão continua sendo da empresa, e é ela quem responde pelos riscos decorrentes dessa escolha”, afirma.
O tema ganha relevância à medida que departamentos jurídicos e empresas incorporam soluções baseadas em IA para avaliar contratos, identificar cláusulas sensíveis, realizar processos de due diligence e mapear riscos em operações societárias. Embora essas tecnologias proporcionem ganhos de eficiência, seus resultados podem apresentar interpretações incompletas, inconsistências ou deixar de considerar particularidades de cada negociação.
Segundo Wainstein, o maior equívoco é acreditar que o uso da tecnologia transfere a responsabilidade pela decisão. “Quando uma empresa utiliza inteligência artificial para apoiar uma análise, ela não delega sua responsabilidade ao algoritmo. A ferramenta auxilia, mas quem valida as informações, interpreta os riscos e decide seguir determinado caminho continua sendo o profissional ou a organização.”
Na avaliação do especialista, a tendência é que o mercado caminhe para modelos híbridos, nos quais a inteligência artificial executa tarefas repetitivas e processa grandes volumes de dados, enquanto as decisões estratégicas permanecem sob supervisão humana.
“Quanto maior o impacto jurídico ou financeiro de uma decisão, maior deve ser o nível de revisão humana. A inteligência artificial aumenta a produtividade, mas não elimina a necessidade de experiência, contexto e senso crítico.”
Essa combinação entre conhecimento técnico e inovação também está presente no WRISK 360°, plataforma de diagnóstico e gestão de riscos empresariais desenvolvida a partir de metodologia própria da Wainstein Advocacia. A solução reúne mais de 20 anos de experiência de Sandro Wainstein em assessoria jurídica empresarial e atuação em conselhos de administração ao uso de tecnologia e inteligência artificial. A proposta é organizar informações, identificar vulnerabilidades e oportunidades e apoiar decisões estratégicas, considerando o contexto e as particularidades de cada negócio.
“A tecnologia amplia nossa capacidade de identificar e analisar riscos, mas é a experiência que permite compreender seus impactos e definir prioridades. O objetivo não é apenas apontar problemas, mas oferecer elementos para que as empresas tomem decisões mais conscientes e preservem suas alternativas de atuação”, conclui.
Texto enviado pelo Dr Sandro Wainstein.