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Advogado Milanez ao lado do general Augusto Heleno, na sessão da trama golpista do STF

Advogado de Augusto Heleno vira alvo de medida protetiva por violência doméstica

Há 2 dias
Atualizado sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Da Redação

A Justiça do Distrito Federal concedeu medida protetiva contra o advogado Matheus Mayer Milanez, conhecido nacionalmente por defender o general Augusto Heleno no processo da trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão foi tomada na quarta-feira (12), após relatos de violência física apresentados pela ex-companheira.

O caso foi revelado pelo Metrópoles, que teve acesso ao processo. A mulher relata episódios de agressão entre dezembro de 2025 e agosto deste ano. Milanez nega categoricamente qualquer violência e afirma que apresentará à Justiça provas para contestar as acusações.

A medida foi concedida pelo juiz Carlos Bismarck Piske de Azevedo Barbosa, do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Guará, no Distrito Federal. O magistrado considerou necessária a adoção de providências para resguardar a mulher enquanto os fatos são apurados.

Distância de 300 metros e proibição de contato

Milanez deverá manter distância mínima de 300 metros da ex-companheira e não poderá estabelecer contato por telefone, WhatsApp, redes sociais, e-mail ou qualquer outro meio. A decisão adverte que o descumprimento das determinações poderá resultar em prisão preventiva.

Segundo os relatos levados à Justiça, teriam ocorrido agressões físicas em dezembro de 2025 e em 13 de junho de 2026. A mulher também narrou novo episódio em agosto, quando teria sido empurrada e obrigada a deixar a residência.

Ela afirmou que uma das agressões teria sido presenciada por uma amiga e que outra teria deixado lesões fotografadas. Também disse temer o advogado por considerá-lo uma pessoa influente. A existência das acusações e da medida protetiva não significa condenação, e os fatos ainda dependem de apuração.

Juiz rejeitou parte dos pedidos

Ao fundamentar a proteção, o juiz Carlos Bismarck destacou a relevância atribuída à palavra da vítima nesta etapa inicial do processo e entendeu haver elementos suficientes para impedir aproximação e contato entre as partes.

O magistrado, porém, não acolheu todos os pedidos. Foram negados alimentos provisórios, restrições temporárias para compra, venda ou locação de bens comuns e suspensão de procurações.

Segundo a decisão, faltavam elementos materiais preliminares que justificassem essas providências. O juiz também estabeleceu que a proibição de aproximação deve ser observada pelas duas partes para preservar a eficácia das medidas.

Advogado ganhou projeção no STF

Criminalista, Matheus Mayer Milanez ganhou projeção ao atuar na defesa de Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional no governo Jair Bolsonaro, no processo da trama golpista no STF. Atualmente, segue na defesa do general na fase de execução penal.

Milanez também ganhou repercussão nas redes durante os interrogatórios do núcleo central do caso, após pedir mudança no horário dos trabalhos para conseguir jantar. O episódio provocou uma resposta irônica do ministro Alexandre de Moraes e viralizou.

Além da advocacia, Milanez entrou na disputa eleitoral. Filiado ao Republicanos, é candidato a deputado federal pelo Distrito Federal nas eleições deste ano.

Milanez nega agressões e questiona cronologia

Em manifestação ao Metrópoles, Milanez afirmou que nega “de forma categórica” qualquer prática de agressão. Disse confiar no devido processo legal e sustenta que os fatos serão esclarecidos nos autos, a partir das provas que pretende apresentar.

O advogado afirmou ainda que soube da medida protetiva pela imprensa. Segundo sua versão, desde 3 de agosto as tratativas com a ex-companheira eram realizadas exclusivamente por advogados. No dia 11, a representante dela teria informado à advogada de Milanez que as negociações haviam fracassado.

Ainda segundo Milanez, foi dado prazo até as 10h do dia 12 para que assinasse, via Gov.br, uma proposta de acordo, sob pena de adoção de medidas judiciais. Ele diz que recusou os termos e depois foi surpreendido pela reportagem. O advogado sustentou ainda que a proteção garantida pela Lei Maria da Penha não pode ser transformada em instrumento de negociação e afirmou que caberá à Justiça esclarecer a sequência dos acontecimentos.

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