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“Brasil tem a chance de virar página da impunidade com esse julgamento de Marielle”, diz representante da Anistia Internacional

Há 8 meses
Atualizado terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Por Hylda Cavalcanti

A representante da Anistia Internacional no Brasil, Jurema Werneck, que acompanha o julgamento na sede do Supremo Tribunal Federal (STF) ao lado dos familiares de Marielle Franco e Anderson Gomes, afirmou que, com esse julgamento, “o Brasil tem uma chance de virar a página da impunidade”.

“A expectativa é grande, porque muitas conexões foram feitas e muita coisa errada aconteceu para obstruir as investigações e para que conseguíssemos chegar até aqui. Por isso, mais do que obter Justiça em relação ao assassinato de Marielle e de Anderson, o julgamento vai mostrar que a impunidade não impera mais nesse tipo de crime”, acrescentou a especialista.

Justiça e transparência

Jurema tem atuado ativamente desde 2018 na cobrança por justiça, transparência e na identificação dos mandantes no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. A organização internacional monitora o caso como um teste para a impunidade de defensores de direitos humanos no Brasil.

A Anistia Internacional foi responsável, também, por proteger a assessora de imprensa de Marielle, Fernanda Chaves. Além de assessora, ela era amiga pessoal de Marielle, madrinha de sua filha. Fernanda estava no banco de trás do carro e tornou-se a principal testemunha ocular do crime, enfrentando trauma e exílio.

Relatos cruciais para o caso

Ela saiu do carro aparentemente ilesa fisicamente, mas muito suja de sangue, gritando por socorro e inicialmente acreditando que Marielle estava viva. Como forneceu relatos cruciais para a investigação, descrevendo o cenário após os tiros, ela foi incluída em um programa de proteção e teve de sair do país temporariamente.

Fernanda foi exonerada, recebeu apoio financeiro da Anistia Internacional e passou a conviver com o trauma da perda e o receio constante, especialmente após saber da possível participação de agentes políticos e policiais no caso.

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