Da Redação
No julgamento de um caso de feminicídio em Cuiabá, o Tribunal do Júri condenou Jackson Pinto da Silva a 31 anos e três meses de reclusão, em regime inicialmente fechado, pela morte da esposa, de 64 anos. Ele também foi responsabilizado por esconder o corpo e por simular o sequestro da vítima para enganar a polícia.
Além da reclusão, o réu recebeu um mês e 15 dias de detenção. O julgamento ocorreu nesta terça-feira (20), das 13h30 às 23h, sob a presidência da juíza Monica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal da Capital.
Jurados acolheram as três acusações
Os sete integrantes do conselho de sentença aceitaram a tese do Ministério Público e consideraram Jackson culpado por feminicídio, ocultação de cadáver e comunicação falsa de crime.
Os jurados também reconheceram que a vítima tinha mais de 60 anos, morreu por asfixia e não teve qualquer possibilidade de se defender, circunstâncias que pesaram no cálculo final da pena.
Vítima foi estrangulada enquanto dormia
O crime aconteceu em 4 de maio de 2026, no bairro Parque Cuiabá. De acordo com a acusação, Jackson apertou o pescoço da esposa com uma abraçadeira de nylon enquanto ela dormia.
Depois, transportou o corpo de carro até outro imóvel que pertencia à vítima. No local, contratou uma retroescavadeira sob o pretexto de abrir uma fossa, enterrou o cadáver no quintal e cobriu o terreno para apagar os vestígios.
Falso sequestro incluiu pedido de resgate de R$ 30 mil
Para despistar as investigações, o réu forjou o sequestro da mulher. Parentes passaram a receber mensagens que exigiam R$ 30 mil de resgate. A família chegou a transferir R$ 500 ao suposto sequestrador.
Segundo a sentença, Jackson contratou outras pessoas para participar da encenação. No dia seguinte ao crime, ele procurou a Polícia Civil e registrou boletim de ocorrência comunicando o desaparecimento forçado da esposa.
Durante a apuração, porém, os policiais identificaram contradições no relato apresentado pelo marido. O acusado acabou confessando o assassinato e levou os investigadores até o local onde havia enterrado o corpo.
Confissão reduziu pena, mas circunstâncias do crime a elevaram
A juíza considerou a confissão para diminuir as penas dos três crimes. No feminicídio, a punição calculada inicialmente em 23 anos e quatro meses foi reduzida para 20 anos de prisão.
Em seguida, a pena recebeu acréscimo de 50% por causa da idade da vítima, do uso de asfixia e da impossibilidade de defesa. Com isso, a condenação por feminicídio chegou a 30 anos de prisão.
Pela ocultação do cadáver, a pena ficou em um ano e três meses de reclusão. Já a comunicação falsa de crime rendeu um mês e 15 dias de detenção, além do pagamento de 11 dias-multa.
Réu seguirá preso e terá de indenizar herdeiros
A magistrada determinou o início imediato do cumprimento da pena. Preso desde 5 de maio de 2026, Jackson não poderá aguardar em liberdade o julgamento de eventuais recursos.
A sentença também fixou indenização mínima equivalente a 40 salários mínimos, a ser paga aos herdeiros da vítima pelos danos morais causados à família. O processo tramita sob o número 1009228-62.2026.8.11.0042.