Da Redação
Diante da escalada do conflito no Oriente Médio e da nova alta do petróleo no mercado internacional, o Ministério da Fazenda decidiu manter por mais um mês o benefício que ajuda a segurar o preço da gasolina nas bombas. A portaria foi assinada na noite desta quinta-feira (23) pelo ministro Dario Durigan, garantindo a continuidade do subsídio de R$ 0,44 por litro a partir de domingo (26).
Como funciona o desconto na gasolina
O mecanismo, tecnicamente chamado de subvenção econômica, funciona como uma espécie de compensação paga pelo governo federal a quem produz e importa combustíveis no país. Com esse repasse, feito por meio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o impacto de reajustes nas refinarias ou no mercado externo chega de forma mais suave ao consumidor final, evitando saltos bruscos no preço pago nos postos.
Sem essa ferramenta, altas do petróleo internacional se refletiriam quase que imediatamente na conta de quem abastece o carro, além de pressionar outros setores da economia que dependem de transporte.
Por que a prorrogação foi necessária
O principal motivo da renovação está ligado à volatilidade do petróleo tipo Brent, referência internacional para o setor. Depois de recuar em junho, o barril voltou a superar a marca dos US$ 100 nesta semana, impulsionado pelo agravamento dos conflitos na região do Oriente Médio.
A equipe econômica do governo vinha avaliando o encerramento do benefício, movimento que chegou a ser sinalizado após o anúncio de um acordo preliminar de paz entre Estados Unidos e Irã em junho — episódio que havia derrubado temporariamente as cotações do petróleo.
Fracasso de acordo internacional muda o cenário
O otimismo, porém, durou pouco. No início de julho, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou publicamente que as tratativas com o Irã haviam fracassado, descartando qualquer retomada próxima das negociações. A partir daí, as tensões voltaram a se intensificar.
Somam-se a isso ataques registrados a petroleiros na região do Mar Vermelho, o que acendeu um alerta sobre riscos à navegação e à oferta global de petróleo — fatores que, juntos, ajudam a explicar a pressão recente sobre os preços internacionais da commodity.
O que isso significa no bolso do brasileiro
Como o petróleo é a base para a produção de gasolina, diesel e querosene de aviação, qualquer oscilação relevante em seu preço tende a se espalhar pela cadeia produtiva, afetando desde o valor do combustível até o custo do transporte de cargas e passageiros — com reflexos diretos na inflação.
Um exemplo prático dessa dinâmica ocorreu logo após a criação do subsídio: a Petrobras reajustou em R$ 0,48 por litro o valor da gasolina vendida às distribuidoras, mas, com o auxílio do governo, o aumento que efetivamente chegou ao consumidor ficou próximo de apenas R$ 0,04 por litro.
Diesel também segue com apoio do governo
Enquanto a subvenção da gasolina passa por renovações mensais, o subsídio ao diesel — atualmente de R$ 1,12 por litro — foi prorrogado por um prazo maior, de 60 dias, após decisão do Congresso Nacional no dia 16 deste mês.
A regra prevê que, ao final de cada ciclo de dois meses, o ministro da Fazenda pode decidir se mantém, ajusta ou encerra o benefício, sempre com aviso prévio de ao menos 15 dias aos beneficiários. Vale lembrar que um segundo subsídio ao diesel, de R$ 0,35 por litro, chegou a ser cancelado em 1º de julho, quando o petróleo operava em patamar bem mais baixo, próximo de US$ 70 o barril.
Etanol ganha espaço como estratégia complementar
Além dos subsídios diretos, o governo tem apostado em outras frentes para amenizar os efeitos da alta internacional do petróleo. Na semana passada, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro à gasolina, que passa de patamar anterior para 32%, medida válida por 180 dias.
A ideia por trás dessa decisão é reduzir gradualmente a dependência do país em relação à gasolina de origem fóssil, aumentando o uso de biocombustíveis nacionais — o que, segundo a expectativa do governo, pode ajudar a conter novas pressões sobre o preço pago pelo consumidor nos próximos meses.
*Com informações da Agência Brasil