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Lula anuncia nesta quinta o fim da fila do INSS a um mês das eleições

Há 2 meses
Atualizado quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Da Redação

Cerca de 1,3 milhão de pessoas ainda aguardam a análise de pedidos de benefícios previdenciários no Brasil. Nesta quinta-feira (3), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa de uma cerimônia no Palácio do Planalto para anunciar o cumprimento de uma promessa feita ainda no início do terceiro mandato: zerar a fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O anúncio ocorre a poucas semanas das eleições presidenciais de 2026 e busca responder a uma das queixas mais frequentes entre segurados da Previdência.

Um compromisso assumido em 2023

Desde que tomou posse, Lula havia colocado como meta reduzir a zero o número de pedidos represados no INSS, órgão federal responsável por conceder, manter e pagar benefícios previdenciários. Segundo o próprio presidente, quando sua gestão começou, cerca de 3 milhões de pessoas esperavam por uma resposta da Previdência.

O evento desta quinta, batizado de “Atendimento Sem Fila na Previdência Social”, está marcado para as 15h. Em declarações recentes, Lula já havia adiantado que, após o anúncio, o tempo médio de espera de 45 dias passaria a valer para um grupo bem menor de solicitantes — cerca de 251 mil pessoas —, patamar que o governo considera dentro da normalidade operacional do órgão.

Números mostram queda acentuada na fila

Levantamentos do Ministério da Previdência Social indicam que a fila vem encolhendo de forma consistente nos últimos meses. O total de pedidos represados caiu para 1,8 milhão em junho e, no fim de julho, chegou a 1,55 milhão — o menor volume registrado em quase dois anos. Ao longo do ano, essa redução já soma 74%.

Ao mesmo tempo, cresceu o número de pedidos negados pelo instituto. Somente em junho, os indeferimentos chegaram perto da marca de 1 milhão, e no acumulado de 2026 esse volume subiu 70% em relação ao mesmo período do ano anterior. Entre os pedidos mais recusados estão os ligados a benefícios por incapacidade, categoria que reúne o auxílio por incapacidade temporária, o auxílio-acidente e a aposentadoria por incapacidade permanente.

Troca de comando marcou a reta final da estratégia

Em abril, o governo promoveu uma mudança na direção do INSS: Gilberto Waller Júnior deixou o cargo e foi substituído por Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira do instituto desde 2003, onde começou como analista do seguro social. Antes de assumir a presidência do órgão, ela já havia presidido por quase três anos o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), período em que, segundo o governo, a capacidade de análise de recursos dobrou.

Relatos de bastidores indicam que a demora nas filas vinha desgastando a imagem do governo e representava um risco político às vésperas da disputa eleitoral — fator que teria pesado na decisão de trocar o comando do instituto. A missão dada à nova presidente foi justamente zerar os pedidos pendentes, com apoio direto do ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz.

O escândalo que antecedeu as mudanças

A gestão anterior de Waller havia sido marcada por outro episódio grave: ele assumiu o INSS em abril do ano passado, dias depois de a Polícia Federal deflagrar uma operação que expôs um esquema de descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024, com prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões. Naquele momento, o então presidente do órgão, Alessandro Stefanutto, foi afastado, demitido e, meses depois, preso — assim como outros cinco dirigentes do instituto, também detidos por decisão judicial.

Segundo avaliações internas do governo, Waller teria cumprido bem o papel de reorganizar o INSS após o escândalo, mas não teria conseguido avançar na redução das filas por não ser um técnico do setor — o que justificou, meses depois, sua substituição.

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