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Roberta Luschinger

Lula diz que não haverá blindagem a envolvidos em fraudes no INSS, nem mesmo seu filho

Há 10 meses
Atualizado sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (18) que todos os envolvidos no esquema de fraudes em aposentadorias do INSS devem ser investigados — incluindo, se for o caso, integrantes de sua própria família. A declaração ocorre após a Polícia Federal (PF) deflagrar nova fase da operação Sem Desconto, que atingiu figuras próximas ao governo, como o então número dois do Ministério da Previdência, Adroaldo Portal.

“Se tiver filho meu metido nisso, vai ser investigado”, afirma Lula

Durante café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, Lula declarou que não há blindagem do governo aos suspeitos investigados pela PF. “Se tiver filho meu metido nisso, vai ser investigado”, afirmou, em referência indireta às suspeitas levantadas contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que até o momento não é alvo formal das investigações.

Lula explicou que a apuração sobre o caso começou dentro do próprio governo, com a Controladoria-Geral da União (CGU), e demorou dois anos para ser concluída. “Demorou porque a gente queria investigar com seriedade. Seria muito fácil fazer uma denúncia e não apurar”, disse o presidente.

CPI do INSS aponta ligação com filho de Lula

O presidente da CPI do INSS, senador Carlos Viana (PSD-MG), afirmou que o colegiado ouviu uma testemunha que citou suposta relação comercial entre o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e Lulinha. Segundo o senador, essa parceria estaria relacionada a interesses no Ministério da Saúde. A PF, no entanto, não incluiu o filho do presidente entre os alvos de suas ações.

A base governista reagiu barrando pedidos da oposição para quebra de sigilo e convocação de Lulinha, o que acirrou o debate político em torno das investigações.

Vice-líder do governo no Senado é alvo da operação

A nova fase da Operação Sem Desconto teve como alvos o secretário-executivo da Previdência, Adroaldo Portal, que teve prisão domiciliar decretada, e o senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado, alvo de mandado de busca e apreensão. Adroaldo, que era subordinado a Rocha e já atuou como seu chefe de gabinete, foi exonerado logo após a operação.

A Polícia Federal aponta que Weverton Rocha seria “sócio oculto” da estrutura financeira ligada ao esquema e que atuava como “sustentáculo político” da organização criminosa que desviava recursos de benefícios previdenciários.

Encontros com “Careca do INSS” e churrasco em Brasília

Em maio, o jornal O Globo revelou que o empresário conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos articuladores da fraude, participou de um churrasco na residência de Weverton Rocha, em Brasília. Os dois também se encontraram no Senado, mas a presidência da Casa, sob comando de Davi Alcolumbre (União-AP), não autorizou o acesso aos registros de visitação.

A PF afirma que a organização atuava com base em fraudes na concessão de benefícios do INSS, com falsificação de dados, montagem de dossiês fraudulentos e repasse de propina para garantir nomeações estratégicas.

Empresária Roberta Luchsinger também é alvo

A empresária Roberta Luchsinger, herdeira de ex-acionista do banco Credit Suisse, também foi alvo de mandado de busca e apreensão. A PF investiga sua ligação financeira com Antônio Antunes, mas a base governista barrou pedidos de quebra de sigilo e convocação feitos pela oposição.

Além de Portal, foram presos nesta fase o advogado Eric Fidelis, filho do ex-diretor do INSS André Fidelis, e Romeu Carvalho Antunes, filho do “Careca do INSS”. André Fidelis havia sido preso anteriormente por envolvimento no mesmo esquema.

A PF afirma que a organização atuava de forma estruturada para fraudar aposentadorias e pensões por meio de descontos indevidos e concessões ilegais, com respaldo de agentes públicos e políticos influentes.

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