Da Redação
O ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), passou a ser investigado em um segundo inquérito da Polícia Federal. Desta vez, a suspeita é de que ele esteja envolvido em um esquema de venda de decisões judiciais. O ministro já responde a outro processo, por acusações de assédio sexual, e está afastado de suas funções.
O que motivou a nova investigação
A apuração faz parte da Operação Sisamnes, que existe há algum tempo e, até recentemente, focava apenas em assessores que atuavam nos gabinetes dos ministros do STJ. Com o avanço das investigações, a Polícia Federal reuniu novos elementos que levaram à ampliação do inquérito, agora mirando diretamente Marco Buzzi.
A autorização para investigar o ministro partiu do Supremo Tribunal Federal (STF), por meio do ministro Cristiano Zanin. Pouco antes, Zanin já havia liberado a abertura de um inquérito semelhante contra outro ministro do STJ, Moura Ribeiro, suspeito de beneficiar um grupo ligado a um lobista em decisões judiciais. O processo corre em sigilo.
A relação com a filha do ministro
Um ponto que chamou atenção da Polícia Federal foi a relação entre uma das filhas de Buzzi, a advogada Catarina Buzzi, e um empresário suspeito de comprar decisões judiciais. Em um primeiro momento, um relatório da corporação sugeriu aprofundar essa análise, mas, após a troca do delegado responsável, um segundo relatório concluiu que não havia indícios de irregularidades na atuação da advogada.
Apesar disso, novas provas reunidas pela PF acabaram justificando a abertura do inquérito contra o próprio ministro. A defesa de Catarina Buzzi nega qualquer irregularidade e afirma que relatórios oficiais já afastaram qualquer ligação dela com a venda de sentenças, classificando as novas acusações como repetição de informações antigas.
Processo por assédio sexual tem data marcada
Paralelamente ao inquérito sobre venda de decisões, Marco Buzzi também enfrenta um processo disciplinar por assédio sexual. Ele é acusado por duas mulheres: uma jovem de 18 anos, que diz ter sido tocada de forma indevida durante um banho de mar, e uma ex-funcionária de seu gabinete, que relata diversos episódios de assédio ao longo do tempo.
O julgamento está marcado para começar em 6 de agosto. Caso seja considerado culpado, o ministro pode perder o cargo — já que uma decisão recente do STF determinou que a aposentadoria compulsória não pode mais ser usada como punição máxima para magistrados nesse tipo de caso, sendo substituída pela demissão.
Pressão por aposentadoria antecipada
Diante da repercussão negativa para a imagem do STJ, outros integrantes do tribunal chegaram a pressionar Buzzi para que ele pedisse aposentadoria antecipada, o que ajudaria a encerrar a crise sem necessidade de um julgamento público. O ministro, porém, recusou essa saída e afirma ser inocente das acusações.
Como parte de sua defesa no processo de assédio, Buzzi apresentou um laudo médico sobre disfunção erétil, argumentando que sua condição física tornaria impossível cometer os atos que lhe são atribuídos. Procurada pela reportagem, a assessoria do ministro disse que ele desconhece ser alvo do novo inquérito e não tem qualquer relação com as atividades profissionais de seus familiares.