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O procurador geral da república Paulo Gonet

PGR pede condenação de militares do núcleo 3 por participação em trama golpista

Há 7 meses
Atualizado terça-feira, 16 de setembro de 2025

Oito militares conhecidos como “kids pretos” e um policial federal são acusados de planejar ações táticas para manter Bolsonaro no poder

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu nesta segunda-feira (16) a condenação de nove réus do chamado núcleo 3 da trama golpista que investigou a tentativa de manter Jair Bolsonaro (PL) na Presidência da República, mesmo após a derrota eleitoral. O grupo é formado por oito militares das Forças Armadas, apelidados de “kids pretos”, e um policial federal. Eles são acusados de articular ações com objetivo de promover um golpe de Estado e interromper a ordem democrática no país.

O pedido da PGR acontece dias após o Supremo Tribunal Federal (STF) condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus considerados parte do “núcleo crucial” da tentativa de ruptura institucional. Agora, o foco se volta aos agentes operacionais da trama, que, segundo a acusação, participaram diretamente do planejamento de ações táticas para dar suporte ao golpe.

acusação inclui cinco crimes graves

A denúncia da PGR pede que os nove acusados sejam condenados por cinco crimes: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito, dano qualificado pela violência, grave ameaça contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado. A Procuradoria aponta que o grupo agiu com intencionalidade clara de subverter a ordem institucional e utilizar força armada para sustentar Bolsonaro no poder.

Entre os réus estão os generais, coronéis e tenentes-coronéis Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, Bernardo Romão Correa Netto, Fabrício Moreira de Bastos, Márcio Nunes de Resende Júnior, Hélio Ferreira Lima, Rafael Martins de Oliveira, Rodrigo Bezerra de Azevedo e Sérgio Ricardo Cavaliere, além do policial federal Wladimir Matos Soares.

plano incluía assassinato de autoridades

Segundo a PGR, há indícios de que os integrantes desse núcleo teriam chegado a planejar o assassinato de autoridades públicas. Entre os alvos estariam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do STF Alexandre de Moraes. Em um dos episódios mais alarmantes citados na denúncia, militares chegaram a monitorar a localização de Moraes em Brasília, chegando próximos à sua residência com o objetivo de capturá-lo ou até assassiná-lo.

A Procuradoria aponta que a atuação do grupo criou um ambiente de pressão no Alto Comando do Exército, visando forçar uma adesão ao golpe. As ações também teriam colocado em risco a integridade de instituições democráticas, aproveitando o conhecimento técnico e o acesso privilegiado dos envolvidos aos aparatos de força do Estado.

um réu poderá negociar acordo

Dos dez réus inicialmente denunciados, apenas um não teve recomendação de condenação: o tenente-coronel Ronald Ferreira de Araújo Júnior. Para ele, a PGR pediu a desclassificação do crime para “incitação ao crime”, argumentando que não houve provas suficientes que o vinculassem diretamente aos planos mais avançados do grupo. A nova tipificação abre espaço para que Ronald possa negociar um acordo penal e, eventualmente, colaborar com a investigação.

A Procuradoria destacou que, no caso de Ronald, sua participação se limitou à assinatura e disseminação de uma carta incitatória, comportamento semelhante ao de outros militares que não foram formalmente denunciados como partícipes da trama golpista.

processo agora avança para julgamento

Com a manifestação da PGR, o processo avança para a fase final. As defesas dos réus terão 15 dias para apresentar seus argumentos e tentar obter a absolvição dos acusados. Após essa etapa, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, poderá incluir o processo na pauta de julgamento.

A decisão sobre esses nove réus poderá ampliar a responsabilização penal dos envolvidos na tentativa de ruptura democrática de 2022 e reforça o entendimento do Supremo de que houve uma articulação golpista que envolveu diferentes níveis hierárquicos e operacionais.

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