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Ações contra planosde saúde crescem

Plano de saúde não pode cancelar contrato sem aviso prévio mesmo em caso de fraude

Há 10 meses
Atualizado quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Da Redação

O Superior Tribunal de Justiça determinou que operadoras de planos de saúde devem notificar beneficiários com antecedência antes de cancelar contratos, mesmo quando há fraude envolvendo a empresa contratante. A decisão protege consumidores de boa-fé que foram vítimas de esquemas fraudulentos.

Como funcionava o golpe dos planos de saúde

Fraudadores criaram empresas fictícias para vender planos de saúde coletivos empresariais a consumidores comuns. As vítimas eram cadastradas falsamente como funcionários dessas empresas de fachada, sem saber que estavam participando de um esquema ilegal.

No caso julgado pelo STJ, um beneficiário utilizou o plano de saúde por aproximadamente dois anos. Durante todo esse período, ele pagou as mensalidades em dia e utilizou normalmente os serviços médicos oferecidos.

Cancelamento sem aviso gerou processo judicial

Quando a operadora descobriu a fraude, enviou um e-mail ao beneficiário comunicando o cancelamento imediato do contrato. Não houve qualquer notificação prévia, como exige o contrato entre as partes.

O consumidor recorreu à Justiça pedindo que o plano fosse mantido até a rescisão formal do contrato, com o cumprimento da exigência de comunicação prévia de pelo menos 60 dias de antecedência.

Tribunal local negou pedido do consumidor

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios entendeu que o caso deveria seguir as regras do Código Civil, não do Código de Defesa do Consumidor. Para a corte local, como toda a negociação foi feita por fraudadores, nenhuma das partes poderia ser responsabilizada.

Segundo o TJDFT, seria impossível imputar responsabilidade tanto à operadora quanto ao beneficiário, o que justificaria a rescisão imediata do contrato sem direito a indenização.

STJ reconheceu boa-fé do beneficiário

A ministra Nancy Andrighi, relatora do caso na Terceira Turma do STJ, destacou que a legislação da Agência Nacional de Saúde Suplementar permite a exclusão de beneficiários quando há perda do vínculo empregatício.

Porém, a ministra observou que, embora esse vínculo nunca tenha existido de fato, o contrato foi cumprido normalmente por mais de dois anos. A operadora custeou diversos procedimentos médicos e o beneficiário pagou todas as mensalidades devidas.

Operadora também tem responsabilidade na relação

Nancy Andrighi enfatizou que o consumidor de boa-fé não pode sofrer as consequências do cancelamento repentino do plano de saúde. Afinal, não é possível atribuir a ele qualquer envolvimento ou responsabilidade pela fraude cometida por terceiros.

Por outro lado, a relatora ressaltou que a operadora integra a cadeia de fornecimento do serviço. Segundo o Código de Defesa do Consumidor, ela não pode se eximir de sua responsabilidade perante o consumidor por falha na prestação da cobertura assistencial.

Empresa deveria ter verificado dados antes

A ministra apontou que cabia à operadora verificar a condição de elegibilidade do beneficiário antes de aceitar o contrato. Além disso, a empresa se beneficiou economicamente durante todo o período de vigência contratual, recebendo as mensalidades.

Seguindo o voto da relatora, a Terceira Turma determinou que o plano de saúde seja mantido até a rescisão formal do contrato, após a devida comunicação prévia ao beneficiário com a antecedência prevista contratualmente.

Autor

  • Jeffis Carvalho

    Jornalista há 45 anos, formado pela PUC de São Paulo. Foi diretor de Criação do Telecurso TEC da Fundação Roberto Marinho, roteirista do Programa Saia Justa, no GNT. É consultor, especializado em Branding e Comunicação Corporativa; pesquisador de cinema e editor de Cinema do Estado da Arte, do Estadão.

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