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Delegado Rivaldo Barbosa, do RJ, condenado por obstruir investigações no caso Marielle Franco

Caso Marielle: PSOL pede ao MPRJ que apure investigações de que delegado participou de possíveis conexões com milícias

Há 8 meses
Atualizado quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Por Hylda Cavalcanti

O julgamento dos mandantes do assasinato de Marielle Franco e de Anderson Gomes acabou, apesar da emoção da família e de muitos alertas de que o caso ter servido de exemplo para muitos outros crimes. Mas mesmo tendo considerado o resultado como marco de um grande dia, nem tudo está acabado. Militantes de Direitos Humanos, parlamentares, os próprios familiares de Marielle e advogados não se conformam com a pena imposta ao delegado Rivaldo Barbosa.

Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, foi condenado pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (25/02) pelos crimes de obstrução de provas à Justiça e corrupção passiva, mas absolvido pelos crimes de homicídio. Ele pegou 18 anos de reclusão e o pagamento de 360 dias-multa. Ainda perdeu o cargo e está fora da corporação. 

“Decepção e covardia”

A atuação dele no caso teve mais do que o caráter de corrupção. Representou, para familiares e amigos de Marielle, expressões como “decepção”, “absurdo”, “covardia”. Há áudios em que ele dá conselhos ao grupo responsável pelo assassinato dizendo que “não poderia acontecer na frente da Câmara Municipal”, porque “provocaria um tumulto muito grande”.

“Rivaldo me abraçou dois dias depois do crime, disse que gostava muito da Marielle, a admirava e que eu não me preocupasse que ele moveria mundos e fundos para elucidar o crime. Foi quem mais atuou para esconder provas e atrapalhar o rumo das investigações. Foi muita decepção”, declarou dona Marinete, mãe da vereadora.

Pedido do PSOL ao MPRJ

Por tudo isso, a bancada federal do PSOL agiu rápido. Menos de 24 horas depois do anúncio do resultado final do julgamento, os parlamentares federais que integram a legenda protocolaram um pedido para desarquivar todas as ações em que o delegado esteve envolvido, especialmente as investigações relacionadas a milícias.

A solicitação foi apresentada ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) após a condenação de Barbosa pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). “Protocolamos um pedido unificado de toda a bancada para o levantamento e o desarquivamento das ações que o delegado Rivaldo esteve envolvido, especialmente no caso das milícias”, afirmou o deputado Tarcísio Motta (PSOL-RJ, depois da condenação dos mandantes da morte de Marielle.

Investigação mais profunda

“Ele [Rivaldo] não foi condenado pelos homicídios por conta de dúvida razoável, mas foi condenado por corrupção, (organização criminosa), por obstrução de Justiça e ficou provado que agiu a favor das milícias. Então isso precisa ser investigado mais a fundo, para além dos casos referentes às mortes de Marielle e Anderson”, frisou o parlamentar.

Rivaldo Barbosa foi diretor da divisão de homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro e assumiu a chefia da corporação um dia antes da morte de Marielle e Anderson, em 13 de março de 2018. Seus advogados e parentes saíram do julgamento comemorando o fato de ele ter sido absolvido por homicídio e, em reservado, muitos consideraram que dentro das circunstâncias e das provas existentes, era o máximo de pena que ele poderia pegar.

Uma investigação sobre as interconexões existentes entre Rivaldo e seu grupo de assessores com os milicianos fluminenses pode levar, daqui por diante, a um novo capítulo na história dos crimes praticados pelas milícias daquele estado.

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