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Ramagem é preso pelo ICE nos Estados Unidos

Há 7 meses
Atualizado segunda-feira, 13 de abril de 2026

Por Carolina Villela

Alexandre Ramagem, deputado cassado pelo (PL-RJ), foi preso nesta segunda-feira (13) pelo ICE — Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos — na Flórida. A Polícia Federal informou que a prisão decorreu de cooperação policial internacional entre a PF e autoridades policiais dos EUA. Ainda não há informações sobre um possível processo de retorno do ex-parlamentar ao país.

O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro, fugiu para Miami, nos Estados Unidos, após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, sendo considerado pela Justiça brasileira como foragido desde então. Ele é acusado de integrar o núcleo central da trama golpista que tinha como objetivo manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder.

Extradição em curso e penalidades aplicadas

O governo brasileiro já havia formalizado o pedido de extradição de Alexandre Ramagem. Em janeiro de 2026, o Ministério da Justiça informou ao STF que a solicitação foi encaminhada ao governo norte-americano, com a Embaixada do Brasil em Washington enviando a documentação ao Departamento de Estado dos EUA em 30 de dezembro de 2025. O ministro Alexandre de Moraes também havia determinado a inclusão do nome de Ramagem na lista da Interpol, o que viabilizou a possibilidade de ele ser detido por autoridades estrangeiras.

Ramagem teve o passaporte diplomático cancelado e também perdeu o cargo de delegado da PF. A Câmara dos Deputados bloqueou o salário do então parlamentar, em cumprimento à determinação do ministro Alexandre de Moraes.

Repercussão no meio político

A detenção de Ramagem gerou reações imediatas no meio político brasileiro. O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) comemorou a prisão e defendeu que ninguém pode transformar uma fuga internacional em mecanismo de evasão da Justiça brasileira. “Quem atentou contra a democracia deve responder por seus atos, com o devido processo legal e com a aplicação rigorosa da lei”, afirmou o parlamentar em suas redes sociais.

Aliados saíram em defesa do ex-parlamentar. O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante, afirmou que acompanha com atenção os desdobramentos do caso que “ultrapassa uma situação individual e toca diretamente no respeito às garantias e à atuação de um parlamentar eleito pelo povo brasileiro”.

Histórico do caso e próximos passos no STF

Em 18 de dezembro de 2025, a Câmara dos Deputados declarou a perda do mandato de Alexandre Ramagem. Quatro dias depois, o ministro Alexandre de Moraes determinou o prosseguimento do processo criminal, na (AP) 2737, que havia sido parcialmente suspenso em maio de 2025, quando a Primeira Turma do STF decidiu pela aplicação da imunidade parlamentar prevista no artigo 53 da Constituição Federal. Com a cassação do mandato, o caminho jurídico foi reaberto e a instrução criminal retomada.

Além da condenação a 16 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, Ramagem ainda responde por atos praticados no contexto dos ataques de 8 de janeiro de 2023. Com as alegações finais apresentadas por ambas as partes, o processo está pronto para entrar na pauta de julgamento da Primeira Turma do STF, que deverá decidir pela condenação ou absolvição do ex-parlamentar.

A prisão nos Estados Unidos pode acelerar o retorno de Ramagem ao Brasil e, consequentemente, o cumprimento da pena já imposta pelo Supremo, além de seu julgamento pelo processo que ainda aguarda decisão.

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