Da Redação
O avanço do mercado ilegal de medicamentos para emagrecimento levou a Receita Federal a registrar um recorde de apreensões no primeiro semestre de 2026. De janeiro a junho, foram interceptadas cargas avaliadas em aproximadamente R$ 47 milhões, resultado que supera todo o volume apreendido ao longo do ano passado e evidencia a rápida expansão do contrabando desses produtos no país.
O crescimento da demanda por medicamentos à base de semaglutida, tirzepatida e outras substâncias utilizadas no tratamento da obesidade transformou essas canetas em um dos principais alvos das organizações criminosas. O cenário mobilizou Receita Federal, Polícia Federal e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que intensificaram as operações de fiscalização para conter a entrada irregular dos produtos no Brasil.
Mercado clandestino cresce no ritmo da procura
A alta procura pelos medicamentos, impulsionada pelo uso para emagrecimento, abriu espaço para um comércio paralelo que se expandiu rapidamente nos últimos dois anos. Grande parte das mercadorias chega ao país sem autorização sanitária ou sem o devido recolhimento de tributos, sendo posteriormente revendida pela internet, redes sociais e aplicativos de mensagens.
As investigações mostram que o Paraguai permanece como a principal porta de entrada das cargas ilegais. Os produtos atravessam a fronteira por diferentes rotas e seguem para centros de distribuição antes de serem comercializados diretamente aos consumidores.
O crescimento das apreensões reflete essa mudança de cenário. Se em 2024 os registros ainda eram pontuais, em 2026 as autoridades passaram a identificar carregamentos de grande porte e uma atuação mais estruturada das organizações envolvidas no contrabando.
Apreensões revelam profissionalização do esquema
Dados reunidos pela Receita Federal e pela Polícia Federal indicam que o número de operações e de medicamentos apreendidos aumentou de forma expressiva. Em poucos meses de 2026, os órgãos de fiscalização já haviam alcançado volumes semelhantes aos registrados em anos anteriores inteiros.
As investigações apontam que os grupos criminosos utilizam diferentes estratégias para transportar os medicamentos. Além do ingresso pelas fronteiras terrestres, há registros de remessas enviadas por encomendas postais, transporte aéreo e cargas ocultadas em caminhões juntamente com outros produtos.
Entre as ocorrências de maior impacto está a apreensão realizada em abril, na PR-445, em Cambé (PR), quando fiscais localizaram cerca de 7 mil ampolas de tirzepatida escondidas em uma carga que também transportava 880 celulares e 55 notebooks. Avaliada em aproximadamente R$ 2 milhões, a mercadoria reforçou a percepção das autoridades de que o contrabando de canetas emagrecedoras passou a integrar operações criminosas de grande porte, ao lado de outros produtos de alto valor agregado.
Fiscalização foi reforçada em todo o país
Diante da escalada das apreensões, os órgãos de controle ampliaram as ações conjuntas. Receita Federal, Polícia Federal e Anvisa intensificaram operações para identificar importadores, distribuidores e comerciantes que atuam fora das normas sanitárias e tributárias.
A Anvisa também reforçou medidas para retirar de circulação medicamentos sem registro no Brasil e alertou para os riscos associados ao consumo de produtos de origem desconhecida. Segundo a agência, a ausência de controle sobre fabricação, transporte e armazenamento pode comprometer a segurança dos pacientes.