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São Paulo registra 55 feminicídios e bate recorde no primeiro bimestre de 2026

Há 7 meses
Atualizado terça-feira, 31 de março de 2026

Da Redação

Nos meses de janeiro e fevereiro de 2026, o estado de São Paulo contabilizou 55 mortes de mulheres classificadas como feminicídio — o que equivale a um caso a cada 25 horas. O número é o mais alto registrado para o primeiro bimestre desde 2018, quando a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) começou a divulgar esse tipo de dado.

Em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram registradas 42 mortes, o crescimento chega a 31%. O índice também supera as 52 ocorrências do primeiro bimestre de 2024, até então o recorde da série histórica.

Esse aumento de 31% preocupa especialistas e acende alerta sobre a violência contra mulheres no estado.

Janeiro já havia batido recorde

O mês de janeiro de 2026 sozinho registrou 27 feminicídios — o maior número já contabilizado para esse mês desde que os dados passaram a ser sistematizados. O resultado ruim de fevereiro confirma que a tendência de alta segue firme no início do ano.

O desempenho de 2026 vem logo após 2025 ter encerrado com 266 feminicídios no estado — o maior total anual já registrado. O cenário indica que, se o ritmo atual for mantido, o novo ano pode superar esse patamar.

Casos que chocaram o estado

Entre as vítimas do primeiro bimestre estão mulheres jovens mortas em situações de violência doméstica e relacional. Priscila Versão, de 22 anos, moradora da zona norte de São Paulo, foi assassinada em fevereiro. O principal suspeito é o marido, que foi preso pela Polícia Militar.

Outro caso de grande repercussão foi o da policial militar Gisele Alves Santana, morta com um tiro na cabeça dentro de seu apartamento, no bairro do Brás, em São Paulo. O marido dela, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, alegou suicídio, mas as investigações apontam que ele efetuou o disparo durante uma discussão e não aceitava o fim do relacionamento. Ele foi preso e responde por feminicídio e fraude processual.

Em São Bernardo do Campo, na região metropolitana, Cibelle Monteiro Alves, também de 22 anos, foi morta a facadas pelo ex-namorado dentro da joalheria onde trabalhava, em um shopping center. O suspeito foi detido logo após o crime.

O que o governo estadual está fazendo

A SSP-SP afirma que o enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade do governo estadual. Entre as ações já implementadas estão a inauguração de três novas Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) e a implantação de 111 salas “DDM” nos últimos três anos — um crescimento de 179% nessa estrutura de atendimento.

O governo também disponibiliza o aplicativo SP Mulher Segura Conecta e o programa Cabine Lilás, que oferece atendimento por telefone a vítimas de violência, com policiais especialmente treinadas para esse tipo de escuta.

Medidas anunciadas em março

Nesta segunda-feira, 30, o governo paulista anunciou um pacote de ações voltado ao combate à violência de gênero. A principal novidade é a criação de um Plano de Metas Decenal de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, que deve orientar as políticas públicas pelos próximos dez anos.

O pacote também prevê atendimento itinerante para ampliar o alcance da rede de proteção e a inclusão prioritária de crianças que perderam as mães para o feminicídio no programa SuperAção SP, com acolhimento, apoio financeiro e suporte às famílias.

Punição e monitoramento

Segundo a SSP-SP, mais de dois mil homens foram presos nos últimos três meses, seja em flagrante ou por mandado judicial, em casos relacionados a crimes contra mulheres. Desde setembro de 2023, 1.198 agressores passaram a usar tornozeleira eletrônica, e 123 deles foram presos por descumprir medidas protetivas.

A combinação entre números crescentes e respostas institucionais ainda insuficientes para conter a curva coloca o tema no centro do debate público — e reforça a urgência de políticas mais amplas e efetivas de prevenção e proteção.

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