Da Redação
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e valores do advogado Willer Tomaz, além da quebra de seus sigilos bancário, fiscal e cambial e do cancelamento de seus passaportes, inclusive o diplomático. A decisão, proferida na sexta-feira (23), também suspendeu as atividades econômicas, financeiras e empresariais de companhias vinculadas ao investigado.
As medidas foram adotadas a pedido da Polícia Federal (PF), no âmbito de um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas esportivas e possíveis vínculos financeiros com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O valor de R$ 6 bilhões corresponde ao limite autorizado para o bloqueio patrimonial, e não à quantia efetivamente localizada.
Viagem aos Estados Unidos motivou medidas
Segundo informações da investigação divulgadas pela Agência Brasil, Willer Tomaz deixou o Brasil em 21 de agosto, com destino a Miami, nos Estados Unidos, depois de ter sido alvo de buscas da Operação Sem Desconto, que investiga descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A Polícia Federal informou que não havia registro de retorno do advogado ao país. Os investigadores apontaram risco de destruição de provas e de comprometimento de informações financeiras relacionadas a empresas e fundos mantidos no exterior.
Além da restrição aos passaportes, Moraes determinou a indisponibilidade de bens móveis e imóveis, incluindo veículos, aeronaves e embarcações. As providências têm natureza cautelar e foram estabelecidas no curso da investigação, antes de eventual julgamento das suspeitas.
Quebra de sigilos alcança empresas no exterior
A decisão também atinge empresas ligadas ao advogado, entre elas Alcazar Brasil Ltda., Alcazar Holdings Unipessoal, Alcazar Global Holdings e Catedral Holdings SGPS. A Alcazar Holdings possui estrutura empresarial na Ilha da Madeira, em Portugal.
Moraes determinou que instituições financeiras forneçam informações sobre os titulares das contas e todas as pessoas que tiveram autorização para movimentá-las, inclusive antigos cotitulares. O objetivo é identificar os responsáveis pelas operações financeiras examinadas pela PF.
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) devem ser comunicados para cumprimento das determinações. Também foi estabelecido prazo de 24 horas para o fornecimento de informações requisitadas às instituições financeiras.
Investigação apura possíveis vínculos com Flávio
Uma das frentes da investigação procura esclarecer a relação financeira entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro. Segundo documentos obtidos pela PF, o senador teria figurado como “usuário master” de uma conta vinculada à Alcazar Holdings, condição que permitiria acesso a funcionalidades de gerenciamento bancário.
De acordo com informações divulgadas pelo UOL, o cadastro teria permanecido ativo até maio de 2025, quando foi solicitada sua exclusão. A investigação busca verificar se houve movimentações financeiras realizadas pelo parlamentar e a eventual existência de negócios compartilhados.
A apuração também examina movimentações bilionárias relacionadas a apostas esportivas. Dados atribuídos ao Ministério da Fazenda apontam que Willer realizou depósitos de aproximadamente R$ 258 milhões em plataformas de apostas em 2025, com movimentações que alcançaram bilhões de reais.
Defesa contesta bloqueio e nega irregularidades
Em nota divulgada após a decisão, a defesa de Willer Tomaz classificou as medidas como desproporcionais e questionou a abrangência da investigação. Os advogados sustentam que o cliente não possui relação com as fraudes apuradas na Operação Sem Desconto.
A defesa afirmou que o bloqueio de R$ 6 bilhões não corresponde ao patrimônio do investigado e que a suspensão das atividades empresariais representa punição antecipada, sem acusação formal ou condenação judicial.
Os advogados também negaram que Flávio Bolsonaro tenha movimentado recursos de Willer ou mantido negócios com ele. A defesa do senador, por sua vez, afirma que a relação entre ambos se limita à amizade pessoal e familiar. As suspeitas permanecem sob investigação.