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STF realiza primeira reunião técnica para discutir “penduricalhos”

Há 8 meses
Atualizado quarta-feira, 4 de março de 2026

Da redação

O Supremo Tribunal Federal (STF) promoveu, pela primeira vez, uma reunião conjunta com representantes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para debater uma proposta de solução provisória ao impasse sobre o pagamento de verbas indenizatórias que ultrapassam o teto remuneratório constitucional. O encontro marca uma tentativa de construção institucional coordenada para resolver uma questão que afeta servidores públicos em todo o país. A iniciativa é coordenada pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, e reúne técnicos de alto nível de diferentes órgãos da República.

Ao abrir os trabalhos, o secretário-geral do STF, Roberto Dalledone, destacou o caráter histórico da reunião e a complexidade do tema em pauta. “Estamos cientes dos desafios a serem enfrentados, as realidades das carreiras são distintas, é uma questão que envolve todos e, por isso, importante pensarmos em soluções conjuntamente”, afirmou. Além dos integrantes formais da comissão, assessores dos ministros do STF também acompanharam os debates, sinalizando o peso político e jurídico da discussão.

Contexto jurídico: decisões do STF suspenderam pagamentos

Os trabalhos da comissão decorrem diretamente de decisões tomadas duas ações: Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6606, de relatoria do ministro Flávio Dino e a Reclamação (RCL) 88319, relatada pelo ministro Gilmar Mendes. Ambas suspenderam o pagamento de parcelas classificadas como indenizatórias quando estas ultrapassam o teto remuneratório constitucional — atualmente fixado no subsídio dos ministros do próprio STF. As decisões geraram um vácuo normativo que afeta centenas de milhares de servidores em carreiras dos três poderes e nos estados da federação.

A comissão foi criada para contribuir com uma saída institucional enquanto não for editada a lei nacional prevista no artigo 37, parágrafo 11, da Constituição Federal, norma que caberia ao Congresso Nacional regulamentar, mas que permanece sem aprovação. Trata-se, portanto, de uma solução de caráter temporário, voltada a preencher uma lacuna legislativa com critérios técnicos e juridicamente embasados.

O grupo possui caráter exclusivamente consultivo e prazo determinado para apresentar sua sugestão técnica ao Plenário do STF. A competência final para deliberar sobre o tema permanece integralmente com os ministros da Corte, que deverão apreciar e votar a proposta elaborada pela comissão.

Levantamento de dados será passo inicial dos trabalhos

Na abertura da reunião, ficou estabelecido que o primeiro passo dos trabalhos será o levantamento de dados técnicos, com consolidação dos valores pagos a título de verbas indenizatórias e mapeamento das legislações estaduais que regulam essas parcelas em diferentes carreiras. O objetivo é oferecer uma base sólida para uma análise abrangente, juridicamente consistente e fiscalmente responsável sobre o tema.

A atuação do grupo será orientada pelos princípios da legalidade, da transparência, da responsabilidade fiscal e da harmonia entre os Poderes, com foco na segurança jurídica e na previsibilidade das decisões institucionais — elementos considerados essenciais para que qualquer solução proposta tenha legitimidade e sustentação jurídica perante os tribunais e a sociedade.

Composição ampla reforça caráter interinstitucional da iniciativa

A comissão reúne representantes de peso de cada instituição envolvida. Pelo Poder Judiciário, participam o secretário-geral e a diretora-geral do STF, além de dirigentes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O Senado Federal está representado por seu secretário-geral da Mesa, advogada-geral, diretora-geral e chefe de gabinete da Presidência. A Câmara dos Deputados indicou seu diretor-geral, secretário-geral da Mesa, advogado-chefe e chefe de gabinete da Presidência.

O Poder Executivo participa por meio da Advocacia-Geral da União, representada pelo vice-ministro Flavio José Roman. A Procuradoria-Geral da República também integra a comissão, com a secretária-geral do Ministério Público da União e o chefe de gabinete do procurador-geral da República. O Tribunal de Contas da União (TCU) marcou presença com quatro representantes, incluindo consultores jurídicos e técnicos de orçamento e finanças.

A Defensoria Pública da União completa o quadro de participantes, com dois defensores públicos federais atuando como assessores jurídico e de relações governamentais.

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