Da Redação
O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou nesta quarta-feira, 28, 12 integrantes do Comando Vermelho acusados de dominar a venda de gás de cozinha no Rio e na região metropolitana por meio de ameaças e extorsões. A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 327 milhões ligados ao grupo.
Denúncia e bloqueio milionário
A acusação foi apresentada pelo Gaeco, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do MPRJ. O órgão também obteve, na 2ª Vara Criminal Especializada da Capital, mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão.
O bloqueio de recursos atinge tanto os denunciados quanto as empresas utilizadas no esquema. A medida mira a estrutura financeira que sustentava a atuação da facção no mercado de botijões em diversas comunidades.
Os mandados foram cumpridos por equipes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados, a DDSD, que participou das investigações sobre o controle da distribuição de gás nas áreas dominadas pelo grupo.
Liderança da facção entre os acusados
Entre os denunciados está Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, apontado como a principal liderança do Comando Vermelho no Rio. Segundo as investigações, ele é o chefe da facção que segue em liberdade.
Doca é responsável por comandar as ações do CV no Complexo do Alemão, uma das principais bases da organização criminosa no estado, de acordo com as informações reunidas pelo Ministério Público.
As apurações indicam que o grupo atuava de forma estruturada, com divisão de funções entre os integrantes e comunicação permanente para coordenar a atuação nas comunidades sob seu controle.
Como funcionava o esquema
De acordo com o MPRJ, os criminosos obrigavam comerciantes a comprar botijões apenas de uma distribuidora indicada pela facção. Quem não aceitasse a imposição precisava pagar taxas mensais ao tráfico para continuar trabalhando.
Os moradores também eram prejudicados. Nas comunidades afetadas, só podiam comprar gás nos pontos determinados pelos traficantes, mesmo quando os preços cobrados estavam acima do valor normal de mercado.
Segundo a denúncia, as ameaças tinham três finalidades: eliminar a concorrência, impor condições comerciais vantajosas à facção e garantir o repasse periódico de dinheiro à organização criminosa.
Atuação em quatro cidades
O esquema funcionou entre 2024 e 2025 em comunidades de Duque de Caxias, São Gonçalo, Niterói e da capital fluminense, conforme apontaram as investigações conduzidas pelo Ministério Público e pela DDSD.
A presença em diferentes municípios da região metropolitana mostra o alcance da rede montada pelo grupo para explorar um produto essencial no cotidiano das famílias que vivem nessas áreas.
Relato de comerciante deu início ao caso
As investigações começaram depois que o dono de um depósito de gás na comunidade Vai Quem Quer, em Duque de Caxias, procurou a polícia para denunciar ameaças de morte e de sequestro.
A partir desse relato, os investigadores reuniram elementos sobre a organização do grupo, o controle da distribuição dos botijões e a cobrança de valores de comerciantes nas áreas dominadas pela facção.
Próximas etapas
Com a denúncia apresentada, caberá à Justiça decidir se recebe a acusação e torna réus os 12 integrantes do Comando Vermelho. Os valores bloqueados permanecem indisponíveis por determinação judicial.
— Com Agências de Notícias