Da Redação
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), presidenciável derrotado nas eleições do último domingo (25/10) que fugiu para os Estados Unidos, divulgou uma carta no final da tarde desta terça-feira (28/10) na qual se intitulou primeiro “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” e pouco tempo depois recuou. Ele divulgou uma nova versão do documento, onde retira o trecho e passa a se colocar como “o verdadeiro líder”.
O documento, que foi distribuído oficialmente por pessoas próximas da família Bolsonaro nos EUA, entre elas o comentarista político Paulo Figueiredo e o ex-policial militar André Porciuncula, e depois redistribuído com a retificação, apresenta em sua primeira versão o antigo brasão do Brasil, vigente entre 1889 e 1968. Na segunda versão, apresenta o brasão correto do país.
Fraude e críticas ao STF
Segundo a carta, o senador anuncia que pretende liderar a oposição brasileira do exterior e volta a dizer, sem provas, que foi prejudicado na eleição de domingo, além de criticar o Supremo Tribunal Federal (STF). Mesmo tendo perdido a eleição por mais de 4 milhões de votos, o senador afirma ter sido alvo de “fraude eleitoral”, “abuso de poder político, econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição” e de sofrer perseguição por parte dos adversários e do Judiciário.
Ele também agradeceu ao presidente da Argentina, Javier Millei, “pela coragem, senso de justiça e legalidade” e ao presidente dos EUA, Donald Trump e ao povo americano por terem acolhido sua família no país — praticamente confirmando que a sua estratégia de fuga contou com o apoio dos governos desses dois países latino-americanos.
Desembarcou em Miami
Flávio desembarcou em Miami na manhã desta quarta-feira (28/10), após deixar o Brasil pela fronteira com a Argentina e embarcar em um avião privado que fez escala no Equador. A viagem ocorreu depois de o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar a entrega de seus passaportes no âmbito de uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro. O senador nega irregularidades.
No domingo, Lula venceu Flávio por uma diferença de 4,43 milhões de votos. Apesar de, tanto a campanha do PT como a do PL, terem pedido a prorrogação da votação por duas horas no dia da eleição, o candidato derrotado acabou questionando posteriormente a medida determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF, com aval posterior do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques.
No dia seguinte, os próprios integrantes do seu partido, o PL, anunciaram que não pretendem questionar o resultado do pleito.
“Regime de exceção”
No pronunciamento divulgado nesta quarta, Flávio afirmou que não pretendia deixar o país, mas que decidiu viajar para escapar do que descreveu como uma perseguição política. “Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece”, frisou. E confirmou que está acompanhado da esposa e das duas filhas.
Ele também disse acreditar que a apreensão de seus passaportes seria “apenas o primeiro passo de uma sequência de medidas que poderia incluir tornozeleira eletrônica, prisão domiciliar e condenação judicial”.
Mobilização de oposicionistas
“Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos”, afirmou ainda o senador no seu discurso.
Ele, entretanto, não detalhou quais seriam as medidas dessa estratégia nem esclareceu se pretende solicitar asilo político aos Estados Unidos. Também não estabeleceu uma previsão de retorno ao Brasil.
Repercussões sobre a carta
A carta foi vista inicialmente como o início de um movimento golpista contra o governo reeleito do Brasil. Mas a errata com a nova versão, segundo alguns políticos e analistas apontam, foi uma prova de que as divisões no bolsonarismo sobre a viagem do senador ainda estão acirradas e já chegaram aos Estados Unidos.
Segundo foi divulgado por vários veículos a primeira versão da carta teria sido preparada pela turma do secretário de estado norte-americano Marco Rubio e já estava, pronta. Flavio apenas a referendou. Depois de receber repreensões de pessoas que atuaram ativamente em sua campanha, voltou atrás e publicou a errata com a nova versão.
— Com Agências de Notícias