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Ministro André Mendonça, do STF

“Bom juiz não é estrela”, diz ministro André Mendonça em evento na OAB-RJ

Há 8 meses
Atualizado sexta-feira, 20 de março de 2026

Por Carolina Villela

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afirmou nesta sexta-feira (20) que “o papel de um bom juiz não é ser estrela”. As declarações foram feitas durante palestra na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) seccional do Rio de Janeiro, cujo tema foi “Os desafios da advocacia no século XXI”. O ministro, que atualmente é relator da ação que investiga suposta fraude financeira envolvendo o banco Master, fez questão de destacar princípios como humildade e sabedoria.

Sem citar diretamente as investigações em curso, Mendonça afirmou não ter “a pretensão de ser salvador de nada”. O ministro ressaltou que os integrantes da Corte são, antes de tudo, servidores públicos, e que o cargo exige muito mais responsabilidade e deveres do que prerrogativas e poderes. Para ele, a relação de confiança depositada pela sociedade no Supremo precisa ser preservada a cada decisão.

Da advocacia ao STF: uma trajetória de estratégia e propósito

Mendonça contou que ingressou no curso de direito por exigência do pai — condição para que pudesse seguir sua vocação original e ingressar no seminário. O caminho, no entanto, levou-o a outros destinos: aprovado no concurso da Advocacia-Geral da União (AGU), construiu uma carreira marcada por planejamento de longo prazo. Em 2011, decidiu fazer mestrado no exterior com um objetivo claro: estar preparado para chefiar a AGU caso fosse convocado por um presidente da República, independentemente da vertente política.

O ministro usou a própria trajetória para defender que a advocacia exige projeto de carreira, bons propósitos e visão de futuro — além de enfrentamento constante de desafios éticos e econômicos. Para os advogados presentes, o recado foi direto: “Não tenha medo de tomar decisões. Se estiver errado, peça desculpas e corrija a rota, mas não deixe de decidir.”

Como ingrediente fundamental, destacou: “Coragem é a capacidade de, no meio da adversidade, ter tranquilidade para decidir. Não é falar alto, ser arrogante ou subir o tom. Coragem não é irracionalidade; é tomar decisões de forma racional, justificada e motivada”, afirmou.

Sabatina no Senado: estratégia contra adversários “mais poderosos”

Ao relembrar sua sabatina no Senado, em 2021, Mendonça revelou que enfrentou resistência de pessoas que definiu como “mais poderosas” e que não queriam ver sua indicação ao Supremo avançar. Sua estratégia, segundo ele, foi evitar confrontos públicos antes de a audiência ser formalmente marcada. “Se eu aumentasse a força antes da marcação, ia aumentar a carga contra mim. Só depois de marcada iria demonstrar força, porque, se fosse brigar só pelo lado da força, seria derrotado”, relatou.

O ministro também deixou claro que não se considera mais — nem menos — importante do que os demais colegas da Corte, e que as 11 cadeiras do STF têm “a devida importância e responsabilidade”.

André Mendonça reforçou que o grande desafio do cargo não está nos poderes que ele confere, mas na responsabilidade que impõe. “Em cada dia e em cada decisão, agir com responsabilidade em relação à Justiça, à Constituição, ao país e à sociedade”, disse.

É preciso “acreditar que vale a pena fazer o certo e ter coragem”, concluiu Mendonça.

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