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Senadoras discutindo, no plenário do Senado, PL que discriminaliza a misoginia, aprovado nesta terça-feira (24/03)

Segue para a Câmara projeto que inclui a misoginia entre os crimes de preconceito ou discriminação no país

Há 4 meses
Atualizado quarta-feira, 25 de março de 2026

Da Redação

Seguiu para a Câmara dos Deputados, após aprovação na noite desta terça-feira (24/03), pelo Senado, o Projeto de Lei (PL) 896/2023 que inclui a misoginia entre os crimes de preconceito ou discriminação, com pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa.

O projeto foi aprovado com 67 votos a favor e nenhum contra, na forma de um substitutivo apresentado pela relatora, senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) ao projeto da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA). 

Ódio ou aversão às mulheres

O texto aprovado define misoginia como “a conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres”. Também inclui a expressão “condição de mulher” entre os critérios de interpretação da Lei do Racismo (Lei 7.716/1998), ao lado de cor, etnia, religião e procedência.

A legislação atual equipara a misoginia à injúria e à difamação – com pena que pode ir de dois meses a um ano de reclusão, de acordo com o Código Penal (no trecho entre os artigos 139 e 141). 

Injúria e injúria misógena

Para evitar possíveis conflitos de interpretação, a senadora Soraya apresentou uma emenda para que o Código Penal passe a reger tão somente a injúria no contexto de violência doméstica e familiar, e não a injúria misógina – “substancialmente mais grave que a primeira”, segundo a senadora. 

A relatora apontou que países como França, Argentina e Reino Unido já têm leis de combate à misoginia. A parlamentar enfatizou que, apenas no ano de 2025, houve quase 7 mil vítimas de tentativas de feminicídio no Brasil. Ela alertou para a ameaça representada pelos chamados red pills, que incentivam o ódio contra as mulheres, frequentemente por meio da internet. 

Proteção da família

“O projeto é para proteger a família e a dignidade e a liberdade das mulheres. A aprovação do projeto responde a uma realidade urgente. O ódio às mulheres não é abstrato: é estruturado, é crescente e ceifa vidas todos os dias”, afirmou Soraya. “Agora, existe uma resposta clara do Estado brasileiro. É o Senado dizendo que a misoginia tem consequências”, afirmou também a autora da proposta, Ana Paula.

— Com informações da Agência Senado

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