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Fachin defende independência judicial como pilar da democracia em congresso na USP

Há 5 meses
Atualizado segunda-feira, 8 de junho de 2026

Da redação

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, defendeu nesta segunda-feira (8) a independência judicial como elemento essencial à preservação da democracia constitucional, do Estado de Direito e dos direitos fundamentais. A declaração foi feita durante palestra no Congresso Brasileiro de Direito e Políticas Públicas, realizado na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). O ministro aproveitou o espaço acadêmico para alertar sobre os riscos que pressões externas e internas representam ao funcionamento do Poder Judiciário.

Ao tratar dos desafios enfrentados pelas democracias contemporâneas, Fachin observou que as instituições responsáveis pela proteção da ordem constitucional têm ocupado posição central no debate público e, por essa razão, frequentemente se tornam alvo de questionamentos e tentativas de interferência. Para o presidente do STF, esse cenário exige atenção redobrada e comprometimento permanente com os valores constitucionais.

Independência judicial como garantia da sociedade, não privilégio corporativo

Um dos pontos centrais do discurso de Fachin foi a distinção entre a autonomia do Judiciário como prerrogativa institucional e como direito coletivo. O ministro foi enfático ao afirmar que a independência dos juízes e dos tribunais não é um benefício reservado à classe jurídica, mas uma garantia voltada à própria sociedade.

“Sem magistrados independentes não há proteção efetiva dos direitos fundamentais. Sem tribunais autônomos não há controle adequado do exercício do poder nem preservação da supremacia da Constituição”, afirmou Fachin durante a conferência. A frase resume a tese central defendida pelo presidente do STF: de que o enfraquecimento do Judiciário implica, diretamente, no enfraquecimento dos direitos dos cidadãos.

O ministro destacou ainda que as ameaças à independência judicial podem assumir diferentes formas, incluindo pressões internas ao próprio sistema de justiça e iniciativas externas incompatíveis com o respeito ao exercício legítimo da jurisdição em Estados democráticos e soberanos.

Defesa da democracia passa pelo respeito às decisões judiciais

Fachin também estabeleceu uma conexão direta entre a proteção da independência judicial e a preservação das instituições democráticas como um todo. Para o ministro, não é possível defender a democracia sem defender, ao mesmo tempo, a autonomia dos tribunais e o cumprimento de suas decisões.

“A defesa da independência judicial, da autonomia institucional dos tribunais e do respeito às decisões legitimamente proferidas segundo a ordem constitucional de cada país constitui compromisso inseparável da defesa da própria democracia”, disse o presidente do STF. A declaração foi interpretada como um recado ao ambiente político e social de crescente tensão entre os Poderes no Brasil.

O ministro abordou ainda o papel do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na ampliação do acesso à Justiça e no fortalecimento da proteção de grupos vulneráveis. Segundo Fachin, as políticas judiciárias desenvolvidas pelo CNJ contribuem para aperfeiçoar a prestação jurisdicional e aproximar o sistema de justiça da cidadania.

Vigilância permanente e compromisso institucional

Ao encerrar sua participação no congresso, o presidente do STF reforçou que a preservação da democracia, da liberdade e do Estado de Direito não é uma conquista definitiva, mas um processo contínuo que exige vigilância e responsabilidade institucional.

“Seguiremos firmes na defesa da Constituição, do Estado de Direito, da democracia, da liberdade e da independência do Poder Judiciário, conscientes de que a preservação dessas conquistas exige vigilância permanente, compromisso institucional e confiança nos valores democráticos”, concluiu Fachin em sua fala de encerramento.

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