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Celular mostrando a Plataforma Viagogo

Ministério da Justiça investiga plataformas cujas prática se confundem com atuação de “cambistas digitais”

Há 2 meses
Atualizado terça-feira, 21 de julho de 2026

Da Redação

O Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da sua Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), instaurou processo administrativo sancionador contra a plataforma de revenda de ingressos Viagogo. Como medida cautelar, o órgão determinou que o site informe, de forma clara e em todos os ambientes acessíveis aos consumidores, que atua na revenda de ingressos. 

De acordo com os termos da Senacon, em caso de descumprimento, a plataforma terá de pagar multa diária de R$ 100 mil. Investigações feitas pela secretaria, conforme explicaram técnicos do ministério, identificaram indícios de que a Viagogo não presta informações suficientes sobre sua natureza de site de revenda. Essa precariedade de dados, portanto, pode levar consumidores a acreditarem que estão adquirindo ingressos em um canal oficial de vendas.

Elementos suficientes

Segundo o secretário Nacional do Consumidor do ministério, Ricardo Morishita, o monitoramento realizado pelo órgão apontou elementos suficientes para a abertura do processo. “Tivemos a materialidade suficiente para tomar uma decisão sobre a Viagogo. Fizemos um monitoramento e chegamos à conclusão de indícios preocupantes”, enfatizou ele.

A Senacon também informou ter identificado possíveis falhas relacionadas à identificação dos vendedores dos ingressos e à rastreabilidade das operações realizadas na plataforma. Na avaliação do secretário nacional de Direitos Digitais, Victor Fernandes, a falta de clareza pode prejudicar a decisão de compra do consumidor.

Revenda ocultada

“Muitas vezes, o consumidor acredita que está adquirindo um ingresso diretamente do produtor do evento ou da bilheteria oficial, sem perceber que se trata de uma revenda, muitas vezes por valor superior ao originalmente praticado”, afirmou.

Em plataformas de revenda, os ingressos costumam ser ofertados por valores superiores aos preços originalmente praticados pelos organizadores dos eventos. Por isso, durante o anúncio da medida, Fernandes também chamou atenção para o uso de robôs em plataformas de venda oficial de ingressos.

“Cambistas digitais”

“Sistemas automatizados conseguem adquirir grandes quantidades de ingressos assim que as vendas são abertas, esgotando rapidamente os estoques nos canais oficiais. Posteriormente, esses mesmos bilhetes são anunciados em plataformas de revenda por preços mais elevados”, disse, ao mencionar a prática que classificou como atuação de “cambistas digitais”.

Ricardo Morishita destacou que o Ministério da Justiça também monitora os sites de venda primária de ingressos para apurar eventuais cobranças de taxas abusivas e problemas no atendimento ao consumidor no pós-venda. Mas apesar disso, até o momento não foi adotada nenhuma medida administrativa específica contra essas plataformas.

— Com informações do site do MJ e Agências de Notícias

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