Da Redação
O Banco de Brasília (BRB) vive um momento delicado. A instituição financeira, controlada pelo governo do Distrito Federal, está com dificuldades para manter seu caixa saudável, e pessoas próximas ao assunto afirmam que o Banco Central pode precisar tomar uma decisão sobre o futuro do banco em breve. O problema tem origem nos prejuízos causados pelo envolvimento do BRB com o Banco Master, liquidado no fim do ano passado.
O que está acontecendo com o BRB
Segundo apuração do Estadão/Broadcast, a área de supervisão do Banco Central identificou que o BRB vem se sustentando de um jeito considerado “artificial”. Isso porque o governo do Distrito Federal estaria atrasando pagamentos em setores como saúde e educação, o que ajuda a manter dinheiro depositado no banco e preserva sua liquidez.
Procurado, o BRB negou veementemente qualquer irregularidade. A instituição afirma que sua posição financeira vem de recursos captados normalmente por seus clientes, dentro das regras do sistema financeiro nacional, e que continua cumprindo todas as suas obrigações. O governo do DF também rebateu a informação, dizendo que não está usando o Tesouro distrital para socorrer o banco.
Por que a privatização saiu do radar
Uma das saídas mais discutidas para resolver a situação do BRB seria vender o controle do banco para a iniciativa privada. No entanto, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, já descartou essa alternativa publicamente.
Sem a privatização como opção, restam poucos caminhos: o governo distrital consegue os recursos necessários para reforçar o capital do banco, ou a instituição corre o risco de passar por um processo de liquidação, como ocorreu com o Banco Master.
O empréstimo de R$ 6,6 bilhões que não sai do papel
A principal esperança do BRB para se reerguer é um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Esse dinheiro serviria para cobrir o rombo causado pela relação do banco com o Master.
O problema é que as instituições financeiras que precisariam garantir essa operação estão resistindo ao acordo. Mesmo com a intermediação do governo federal e do Supremo Tribunal Federal (STF), fontes ouvidas pela reportagem já consideram praticamente certo que esse empréstimo não vai se concretizar como planejado.
O que pode levar à liquidação de um banco
De acordo com a legislação brasileira, mais especificamente a Lei 6.024, um banco pode ser liquidado quando deixa de cumprir seus compromissos financeiros em dia, ou quando surgem motivos que autorizariam uma declaração de falência. Na prática, isso acontece quando as dívidas de curto prazo de uma instituição ficam maiores do que o dinheiro disponível em caixa.
Foi exatamente isso que aconteceu com o Banco Master: a instituição tinha apenas R$ 4 milhões em caixa, mas precisava pagar R$ 127 milhões na mesma semana. Diante da impossibilidade de honrar essa dívida, o Banco Central interveio e decretou a liquidação.
Os riscos que rondam o BRB agora
A situação do BRB apresenta dois pontos de atenção especialmente delicados. O primeiro é a possibilidade de a Justiça autorizar a retirada de depósitos judiciais que hoje ficam parados no banco — uma liberação desses valores representaria uma perda importante e repentina de caixa.
O segundo risco é que o governo do Distrito Federal não consiga mais adiar pagamentos essenciais, como salários e despesas com saúde e educação, para manter recursos no banco. Especialistas ouvidos pela reportagem chegam a mencionar que a situação poderia até gerar um problema de caixa para o próprio governo distrital, num cenário mais extremo.
O acordo que não deu certo com a Quadra Capital
Na semana passada, o BRB anunciou o cancelamento de uma negociação com a gestora Quadra Capital. O plano previa a venda de cerca de R$ 15 bilhões em ativos herdados do Banco Master, por um valor à vista de R$ 4 bilhões.
Embora essa venda representasse prejuízo patrimonial, já que os ativos seriam vendidos com desconto, o negócio traria um alívio imediato de liquidez para o banco — algo que, sem esse acordo, o BRB agora precisa buscar por outros caminhos.