Da Redação
A Petrobras confirmou nesta segunda-feira (17) a descoberta de petróleo no poço Morpho, situado no bloco BM-FZA-59, em águas profundas da Margem Equatorial, próximo à costa do Amapá. A perfuração ainda não terminou, e a empresa agora precisa concluir os trabalhos e realizar análises técnicas para descobrir o tamanho da reserva e se ela pode ser explorada comercialmente.
Onde fica o poço e como está a perfuração
O poço Morpho está a cerca de 175 quilômetros do litoral amapaense e a 500 quilômetros da Foz do Amazonas, em uma lâmina d’água de quase 2.900 metros. De acordo com a presidente da companhia, Magda Chambriard, os trabalhos já somam aproximadamente 3 mil metros de profundidade na água e mais 3 mil metros em rocha, restando cerca de 1 mil metros até o fim do poço.
Em declaração feita durante uma visita ao município de Oiapoque, Magda descreveu o achado como resultado de um longo processo de investimento e uso de tecnologia, reforçando que os resultados obtidos até aqui têm confirmado as expectativas da estatal sobre o potencial petrolífero da região.
Ainda não há números sobre o volume encontrado
A executiva explicou que, neste momento, não é possível calcular quanto petróleo existe no local nem qual seria a capacidade de produção da área. A expectativa da empresa é finalizar a perfuração dentro de 15 a 20 dias, quando novos dados poderão ser analisados.
Segundo Magda, a atual etapa de exploração na Margem Equatorial começou em agosto do ano passado e já consumiu US$ 3 bilhões em investimentos. Ela acrescentou que manter as operações em andamento custa, em média, US$ 1 milhão por dia.
Descoberta não garante exploração comercial
É importante destacar que encontrar petróleo em um poço exploratório não significa automaticamente que a reserva será explorada. Depois que a perfuração for concluída, a Petrobras vai avaliar o volume disponível, as características geológicas do reservatório e se o projeto é viável do ponto de vista técnico e econômico.
Próximos passos da Petrobras na região
Para Magda Chambriard, o resultado obtido até agora reforça a aposta da empresa no potencial da Margem Equatorial e deve motivar a continuidade das atividades de exploração na área. Ela afirmou que, se os próximos resultados seguirem a mesma tendência, a descoberta pode contribuir de forma significativa para repor as reservas de petróleo do Brasil e da própria companhia.
A estatal já tem outros poços programados para exploração na região e protocolou, junto ao Ibama, novos pedidos de licenciamento para perfurações adicionais na Margem Equatorial. A Petrobras é a única responsável pelo bloco BM-FZA-59, adquirido em 2013 durante a 11ª Rodada de Licitações da ANP, sob regime de concessão.
Lula reforça compromisso com energias renováveis
Durante visita à região, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou a relevância da descoberta para o setor petrolífero nacional. Ele ressaltou, porém, que investir na exploração da Margem Equatorial não representa uma mudança na política brasileira voltada para fontes renováveis de energia.
Lula afirmou que o Brasil continuará se destacando como referência mundial em biocombustíveis e em energias limpas, mesmo diante da possibilidade de expandir a produção de petróleo em novas áreas do país.