Da redação
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), chegou a convocar um pronunciamento à imprensa para a manhã desta quinta-feira (10), mas cancelou a manifestação pouco tempo depois de divulgá-la. O gabinete do magistrado não informou os motivos que levaram à desistência e disse que a manifestação será remarcada em outra data.
O anúncio inicial havia sido feito em meio a um momento de forte tensão na Corte, mas trouxe apenas o horário previsto para a fala, sem detalhar o tema que seria abordado. Horas depois, sem qualquer explicação oficial, a assessoria do ministro comunicou o cancelamento do evento.
A convocação — e o posterior recuo — ocorreu um dia depois de o presidente do STF, ministro Edson Fachin, editar uma série de medidas para conter o impasse instalado no tribunal. Entre as providências, Fachin retirou de Moraes a relatoria de procedimentos ligados ao inquérito das fake news, concentrando a análise desses casos na Presidência da Corte.
Expectativa era de fala sobre inquérito das fake news
Antes do cancelamento, fontes ouvidas nos bastidores do Judiciário indicavam que Moraes se posicionaria sobre a condução do inquérito das fake news e detalharia aspectos gerais das apurações conduzidas sob sua relatoria até a mudança promovida por Fachin. Com a desistência da entrevista, essas informações não chegaram a ser confirmadas publicamente pelo ministro.
Segundo a assessoria do STF, o encontro com jornalistas não teria transmissão ao vivo, e as imagens ficariam a cargo da TV Justiça, que repassaria o material somente após o encerramento da fala — o que também deixou de ocorrer com o cancelamento.
A decisão de Fachin de reorganizar os processos foi anunciada na quarta-feira (9), quando o presidente do STF defendeu que cabe à Presidência da Corte “zelar pela preservação da integridade” da instituição. Ele afirmou que o Judiciário atravessa um cenário de “conflitos e sobreposições processuais” que exigia resposta institucional imediata.
Entenda a origem do racha na Corte
O atrito entre os ministros tem como pano de fundo as investigações que apuram irregularidades ligadas ao Banco Master. O caso ganhou novos contornos após a divulgação de um relatório da Polícia Federal contendo mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, nas quais haveria menções a trocas de comunicação com o próprio Moraes.
O conteúdo do relatório escancarou divergências internas sobre quem deveria conduzir as apurações. Nos dias que antecederam a decisão de Fachin, despachos de Moraes, André Mendonça e Flávio Dino, somados a manifestações da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal, intensificaram o embate entre os grupos envolvidos no caso, levando a Presidência a intervir e reunir os processos sob sua responsabilidade direta.
O que vem a seguir
Fachin já convocou uma sessão do plenário do STF para a próxima terça-feira (15), quando os ministros deverão discutir os rumos do relatório da Polícia Federal e definir os próximos passos das investigações relacionadas ao Banco Master.
Com o cancelamento do pronunciamento, Moraes segue sem se manifestar publicamente desde que Fachin anunciou as mudanças na condução dos processos. A desistência da fala, sem justificativa oficial, alimentou ainda mais especulações sobre os bastidores da crise que atinge o Supremo.
*Com informações do STF