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ator de Dark Horse de cabeça baixa segurando a bandeira do Brasil

PF liga contrato milionário de Wi-Fi de SP a esquema investigado no caso Dark Horse

Há 2 meses
Atualizado sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Da Redação

A Polícia Federal encontrou conexões entre empresas que receberam recursos de um contrato milionário de Wi-Fi da Prefeitura de São Paulo e entidades ligadas à produção de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Os dados aparecem na investigação que levou à Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10).

A operação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora Go Up Entertainment.

A PF investiga suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro, falsidade documental, organização criminosa e irregularidades em contratações públicas. A apuração procura identificar se recursos de diferentes origens foram movimentados por uma mesma rede de empresas e entidades.

Contrato de R$ 108 milhões

O Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama, firmou contrato de aproximadamente R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para implantação, operação e manutenção de 5 mil pontos de Wi-Fi público em comunidades da capital.

O contrato já era investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil de São Paulo. Segundo a Agência Brasil, a apuração apontou suspeitas de direcionamento do chamamento público, falta de justificativa técnica ou econômica para a parceria e apresentação de pelo menos R$ 16,5 milhões em notas fiscais consideradas irregulares.

A Prefeitura nega irregularidades e afirma que o processo de contratação foi transparente. A gestão municipal também sustenta que os recursos do programa foram utilizados exclusivamente na implantação dos pontos de internet e que não houve financiamento municipal do filme.

PF identifica caminho do dinheiro

Segundo informações obtidas pelo UOL, a PF identificou que a Complexsys Soluções Integradas, subcontratada pelo ICB para atuar no programa de Wi-Fi, recebeu aproximadamente R$ 9,9 milhões do instituto entre outubro de 2024 e abril deste ano.

A investigação aponta que, depois de receber recursos do ICB, a Complexsys realizou transferências para a Academia Nacional de Cultura (ANC), também comandada por Karina Gama. A PF tenta esclarecer a finalidade desses pagamentos e a origem dos recursos movimentados.

A Complexsys nega qualquer participação no financiamento de Dark Horse. A empresa afirma que os valores recebidos foram utilizados exclusivamente na execução do contrato de Wi-Fi e diz que uma perícia independente comprovaria a inexistência de vínculo financeiro com a produção cinematográfica.

Dino vê possível estrutura única

Na decisão que autorizou a operação, Dino considerou a possibilidade de que as suspeitas envolvendo emendas parlamentares e o contrato municipal façam parte de uma única estrutura destinada à captação, movimentação e ocultação de dinheiro público, conforme revelou o UOL.

Mario Frias também aparece nessa conexão. Segundo a PF, o deputado utilizou R$ 154 mil da cota parlamentar para pagar a Complexsys por serviços descritos como “CRM Político”. A investigação encontrou notas fiscais com descrições idênticas emitidas em períodos diferentes e, em alguns casos, por empresas distintas.

A Folha de S.Paulo revelou ainda que outra empresa subcontratada pelo ICB em projeto financiado por emenda funcionava no endereço de uma loja de noivas. A PF investiga transferências que teriam passado por empresas intermediárias antes de chegar à Go Up Entertainment.

Emendas ampliam investigação

Relatório da Controladoria-Geral da União (CGU), revelado pela Folha, identificou cerca de R$ 3,6 milhões em emendas destinadas à ANC por Carla Zambelli, Alexandre Ramagem, Marcos Pollon e Bia Kicis. Mario Frias também destinou recursos a entidade ligada a Karina.

A investigação federal se soma ao inquérito conduzido em São Paulo. A Polícia Civil já apurava suspeitas de superfaturamento, pagamentos por serviços não realizados e possível confusão patrimonial entre o ICB e a produtora de Dark Horse.

Até o momento, porém, não há conclusão de que dinheiro do contrato de Wi-Fi tenha efetivamente financiado o filme. A Operação Make Up busca justamente esclarecer o destino dos recursos e se as conexões financeiras identificadas pela PF constituíram um esquema de desvio de verbas públicas.

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