Da redação
Um organograma apreendido pela Polícia Civil de São Paulo acrescentou um novo elemento às investigações que alcançam empresas e entidades relacionadas à produção do filme Dark Horse. O documento manuscrito traz o nome “Mário” acompanhado da palavra “sócio” e ligado à expressão “GOUP USA”.
O material foi revelado pela imprensa e integra documentos recolhidos na investigação paulista sobre contratos do Instituto Conhecer Brasil (ICB). O papel, porém, não apresenta sobrenome nem identifica quem seria o “Mário” mencionado.
A informação surge no momento em que o deputado federal Mário Frias (PL-SP) é investigado, em procedimento no Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a destinação de recursos de emendas parlamentares e possíveis relações financeiras com empresas envolvidas na produção de Dark Horse. Não há, até agora, comprovação de que a anotação se refira ao parlamentar.
Documento relaciona estruturas no Brasil e nos EUA
O organograma apresenta as expressões “GOUP BR” e “GOUP USA”, conectadas entre si. Abaixo da referência à estrutura americana aparece uma seta seguida da anotação “sócio Mário”. Também constam no papel referências a “contrato social”, “distribuição”, “lucro”, “eleição” e “IOF”.
Segundo as informações divulgadas sobre a documentação, o material também contém referências a Karina Ferreira da Gama, ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura.
Há divergências nos documentos da investigação paulista sobre o endereço exato em que o organograma teria sido localizado. Por isso, não é possível afirmar, apenas com os registros tornados públicos, a quem pertencia o papel ou quem produziu as anotações.
Registros não apontam Frias como sócio
A existência do nome “Mário” no documento não significa, por si só, que a referência seja a Mário Frias. Conforme os registros empresariais mencionados nas reportagens sobre o caso, o deputado não aparece formalmente como sócio da Go Up nos Estados Unidos.
Frias, entretanto, possui relação conhecida com Dark Horse. Ele atua como roteirista e produtor-executivo do filme e realizou transferências pessoais à Go Up que, segundo a Polícia Federal, chegaram a aproximadamente R$ 645 mil em cerca de dois meses.
Em comunicado oficial sobre a investigação, o STF informou que a PF considerou esses pagamentos relevantes para a apuração e apontou possível incompatibilidade entre os valores transferidos e os rendimentos mensais do parlamentar. A origem e a finalidade desses recursos são objeto da investigação.
Caso chegou ao Supremo
As apurações estão atualmente relacionadas à Petição 16.669, sob relatoria do ministro Flávio Dino, no STF. Em 10 de setembro, o ministro autorizou medidas da Operação Make Up, conduzida pela Polícia Federal.
De acordo com o Supremo, a investigação examina a destinação de recursos de emendas parlamentares direcionados ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura, entidades presididas por Karina Gama. A PF apura se parte dos recursos públicos teria sido desviada de sua finalidade original e chegado a atividades relacionadas ao filme.
A investigação também analisa uma sequência de operações financeiras que, segundo a PF, teria resultado na transferência de R$ 750 mil para a Go Up. A existência das movimentações integra a apuração e não representa, por si, conclusão sobre eventual prática criminosa.
Defesa nega irregularidades
Mário Frias negou irregularidades após a operação da PF e afirmou que pretende colaborar com as investigações. O parlamentar também classificou a operação como uma “cortina de fumaça”.
Em relação especificamente ao organograma, não há até o momento elemento público que permita atribuir a Frias a expressão “sócio Mário”. Também não foi divulgado laudo ou outro documento que identifique a autoria das anotações.
A investigação permanece em andamento. Caberá às autoridades confrontar o organograma com documentos societários, movimentações financeiras e demais provas reunidas para estabelecer quem é o “Mário” mencionado e qual, se alguma, é a relevância jurídica da anotação para o caso.