Da Redação
Uma conversa mantida por Daniel Vorcaro em abril de 2025 acrescentou um novo elemento às investigações que cercam a relação entre Banco Master e BRB. Ao comentar com o publicitário Thiago Miranda a posição de Celina Leão (PP), então vice-governadora do Distrito Federal, Vorcaro indicou que ela teria conhecimento ou algum envolvimento com as tratativas entre as instituições.
O diálogo ocorreu em 5 de abril de 2025, poucos dias depois de o Conselho de Administração do BRB dar aval à proposta para adquirir o controle do Master. Na conversa, Miranda mencionou declarações públicas de Celina segundo as quais ela não havia participado das discussões que antecederam o anúncio do negócio.
Vorcaro contestou essa interpretação. “Não ficou de fora não. Isso aí é jogo pra se preservar na política”, escreveu. O diálogo integra o conjunto de dados obtidos pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero e posteriormente incorporados aos autos que tramitam no Supremo Tribunal Federal.
Conversa não esclarece participação
A mensagem não explica, entretanto, o que Vorcaro pretendia dizer ao afirmar que Celina não estava alheia ao negócio. Até agora, o material conhecido não revela qual teria sido sua eventual atuação, nem apresenta uma decisão tomada por ela relacionada à compra do Master.
Também não vieram a público mensagens trocadas diretamente entre Celina e Vorcaro. Não há, entre os registros divulgados, indicação de reunião ou telefonema entre os dois que permita estabelecer como a então vice-governadora teria acompanhado as negociações.
A conversa apresenta ainda versões diferentes entre os próprios interlocutores. Enquanto Miranda considerava que Celina não havia participado das tratativas, Vorcaro sustentava o contrário e atribuía a posição pública da então vice-governadora a uma tentativa de proteção no ambiente político.
Governadora contesta versão
Celina nega ter participado da negociação. Desde 2025, ela sustenta que não foi chamada para discutir a aquisição e que tomou conhecimento da iniciativa quando o assunto já havia chegado ao conhecimento público.
Após a revelação do diálogo, o Governo do Distrito Federal reiterou essa versão. A governadora também afirmou que não manteve contato com Vorcaro e argumentou que sua postura, à época, era de resistência à operação pretendida pelo BRB.
Ao assumir o comando do Distrito Federal, em março deste ano, Celina voltou a tratar do caso. Registro oficial da Câmara Legislativa mostra que ela declarou não ter participado nem sido consultada sobre decisões envolvendo a tentativa de aquisição do Master.
Compra foi rejeitada pelo Banco Central
O BRB anunciou em março de 2025 a intenção de adquirir participação suficiente para assumir o controle do Banco Master. O negócio dependia de autorizações regulatórias e acabou não recebendo o aval do Banco Central.
As relações financeiras mantidas anteriormente entre os bancos passaram posteriormente ao centro das apurações da Polícia Federal. A Operação Compliance Zero investiga operações envolvendo ativos negociados entre as duas instituições e eventuais responsabilidades de pessoas ligadas aos negócios.
O conteúdo extraído de aparelhos apreendidos durante a investigação ampliou o alcance das apurações e trouxe a público conversas mantidas por Vorcaro com diferentes interlocutores. Parte desse material passou a tramitar no STF sob a relatoria do ministro André Mendonça.
Caso provoca reação na CLDF
A revelação da mensagem sobre Celina provocou reação entre parlamentares de oposição no Distrito Federal. Foram apresentados pedidos para que órgãos de investigação analisem se existe algum elemento concreto capaz de esclarecer a afirmação feita por Vorcaro.
O deputado distrital Gabriel Magno (PT) também apresentou à Câmara Legislativa pedido de impeachment da governadora. A iniciativa é um requerimento político e, por si só, não representa reconhecimento de irregularidade ou responsabilidade de Celina no caso.
Por enquanto, o material conhecido estabelece que Vorcaro afirmou a um interlocutor que Celina não estava fora da negociação, enquanto a governadora sustenta exatamente o contrário. A extensão e o significado da afirmação do ex-controlador do Master não estão esclarecidos pelos documentos divulgados até agora.