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Caixa evita judicializar greve, mas déficit do Saúde Caixa trava acordo

Há 3 semanas
Atualizado quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Da Redação

A Caixa Econômica Federal e representantes dos empregados voltam à mesa de negociação nesta quarta-feira (16), depois de o banco recuar da possibilidade de levar o impasse à Justiça do Trabalho. A greve nacional, iniciada no último dia 10, continua por tempo indeterminado.

A decisão de retomar as conversas ocorre após os trabalhadores rejeitarem a proposta apresentada pela instituição para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Antes disso, a Caixa havia sinalizado a possibilidade de recorrer a dissídio coletivo caso não houvesse acordo.

Com o recuo, o conflito permanece, por enquanto, no campo da negociação coletiva. A Caixa sustenta que o diálogo é o caminho para buscar uma solução que considere empregados, banco, clientes e sociedade. As entidades sindicais, por sua vez, mantêm a paralisação enquanto aguardam uma nova proposta.

Banco deixa dissídio de lado

A possibilidade de judicialização provocou reação das entidades representativas. A Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae) chegou a alertar para o risco de direitos previstos em negociação coletiva serem afetados caso a discussão fosse transferida para a Justiça do Trabalho.

Depois da continuidade da greve e da mobilização dos empregados, a Caixa decidiu retomar a mesa e suspendeu a intenção de recorrer imediatamente ao dissídio. Segundo a Contraf-CUT, a nova rodada foi marcada após cobrança da representação dos trabalhadores.

A paralisação começou em 10 de setembro. Na base de São Paulo, Osasco e região, 68% dos participantes da assembleia encerrada na sexta-feira (11) rejeitaram a proposta, segundo o sindicato local. A greve não tem data definida para terminar.

Quem vai financiar o déficit do Saúde Caixa

O principal impasse está no Saúde Caixa e, especialmente, na divisão dos custos necessários para manter o plano. Na proposta rejeitada, o banco ofereceu elevar de 6,5% para 8% o teto de sua participação no custeio.

A proposta também prevê contribuições dos empregados entre 2,30% e 4,10% do salário-base, conforme a idade, além de valores de R$ 480 a R$ 660 por dependente. Outro ponto controverso é a chamada 13ª mensalidade, cobrança extraordinária destinada a ajudar no equilíbrio financeiro do plano.

A Caixa propôs antecipar sua parcela dessa mensalidade referente aos anos de 2028, 2029 e 2030. Os representantes dos empregados, porém, defendem uma solução que não transfira aos beneficiários parcela maior do déficit e reivindicam o fim da cobrança extraordinária.

Proposta inclui R$ 3 mil e PLR

Além do Saúde Caixa, a proposta rejeitada previa prêmio de reconhecimento de R$ 3 mil por empregado. O pacote também tratou do pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e de outras cláusulas do acordo coletivo.

O banco ofereceu ainda R$ 236 milhões para ações de prevenção à saúde a partir de janeiro de 2027. As negociações envolvem também mudanças no Super Caixa, condições de trabalho e o atendimento simultâneo nas agências.

A Fenae, a Fenag, a Fenacef e a Feneac se reuniram na segunda-feira (14) para avaliar a greve e discutir alternativas para a nova rodada. As entidades sustentam que a retomada da negociação precisa produzir avanços concretos.

Greve continua durante negociação

A reabertura da mesa não significa o encerramento da paralisação. Os empregados decidiram manter a greve enquanto Caixa e representantes sindicais tentam construir uma proposta que possa ser submetida novamente às assembleias.

Em algumas regiões, sindicatos relatam adesão elevada. Em São Paulo, Osasco e região, a entidade da categoria informou que cerca de 95% das agências chegaram a ficar fechadas. Os percentuais são números das representações sindicais e variam pelo país.

A negociação desta quarta-feira será, portanto, decisiva para definir os próximos passos. Sem acordo sobre o Saúde Caixa e as demais cláusulas do ACT, a greve continua sem prazo para terminar — e permanece aberta a possibilidade de novos desdobramentos no conflito coletivo.

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