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Copom deve cortar juros com taxa caindo para 13,75% ao ano

Há 3 semanas
Atualizado quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Da Redação

A expectativa do mercado é a de que pela 5ª vez consecutiva, o Comitê de Política Monetária do Banco Central deve promover nesta quarta-feira, (16) um novo corte na Selic, taxa que serve de referência para todos os juros cobrados no país. Se a previsão se confirmar, a taxa cai de 14% para 13,75% ao ano e chega ao menor patamar desde março de 2025. O anúncio deve sair depois das 18h.

O que está em jogo nessa decisão

A Selic é o principal instrumento que o Banco Central tem para controlar a inflação. Quando os juros sobem, o crédito fica mais caro, o consumo desacelera e os preços tendem a subir menos. Quando os juros caem, o efeito é o contrário: crédito mais barato, consumo mais aquecido e, em tese, espaço para a economia crescer mais.

Vale lembrar que mudanças na inflação afetam com mais força o bolso da população de baixa renda, já que uma parcela maior do orçamento dessas famílias é destinada a itens básicos, como alimentação e combustível.

Mesmo com a queda prevista para esta quarta, os juros brasileiros seguem elevados. Descontado o efeito da inflação esperada para os próximos doze meses, a chamada taxa real de juros do Brasil continua entre as mais altas do mundo.

A guerra no Oriente Médio pesa no cenário

A expectativa de corte se mantém mesmo com o conflito no Oriente Médio ainda em curso. Nos últimos dias, novos ataques na região fizeram o preço do petróleo subir no mercado internacional, o que pode se refletir no valor dos combustíveis vendidos no Brasil e, por consequência, pressionar a inflação.

Para tentar amenizar esse efeito por aqui, o governo anunciou, na semana passada, a redução de impostos sobre a gasolina e a manutenção de um subsídio para o diesel.

No cenário internacional, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse acreditar que o conflito com o Irã deve chegar ao fim logo após as eleições legislativas americanas, previstas para novembro.

O que dizem os analistas do mercado

Bancos que acompanham a decisão também apostam no corte para 13,75% ao ano, isso porque a atividade econômica no Brasil segue perdendo força, enquanto o mercado de trabalho continua aquecido.

Os analistas do mercado financeiro avaliam que a inflação — tanto o índice cheio quanto os chamados núcleos, que excluem preços mais voláteis — vem mostrando um comportamento mais favorável, puxado principalmente pela desaceleração nos preços de alimentos e de bens industrializados. As expectativas de inflação do mercado não pioraram nas últimas semanas, mas continuam acima da meta perseguida pelo Banco Central.

Por outro lado, os mesmos analistas apontam que o cenário externo segue incerto, com movimentos recentes nos juros dos Estados Unidos e a escalada das tensões no Oriente Médio gerando instabilidade no preço do petróleo.

Como o Banco Central toma essa decisão

O Copom trabalha com um sistema de metas de inflação. Na prática, isso significa que o comitê não olha apenas para os preços do momento, mas principalmente para o que projeta que a inflação será no futuro.

Desde 2025, o Brasil adota o modelo de meta contínua: o objetivo é manter a inflação em 3% ao ano, com tolerância para oscilar entre 1,5% e 4,5%. Quando essa margem é descumprida por seis meses seguidos, como ocorreu em junho, o Banco Central é obrigado a publicar uma carta pública explicando os motivos.

A razão para o BC olhar para a frente, e não para trás, é simples: uma mudança na Selic pode levar de seis a 18 meses para produzir efeito pleno sobre os preços. Por isso, a decisão desta quarta-feira já considera a meta de inflação prevista para o primeiro trimestre de 2028.

O que esperar para os próximos meses

Segundo as projeções mais recentes do mercado financeiro, a inflação deve fechar 2026 em 4,9%, recuar para 4,3% em 2027 e chegar a 3,80% em 2028 — todos os números acima do centro da meta oficial. Para o restante deste ano, a aposta predominante entre analistas é de que a Selic termine 2026 em 13,75% ao ano, patamar que seria mantido até dezembro após o corte previsto para esta quarta-feira.

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