Da Redação
O empresário Fernando Sastre de Andrade Filho foi condenado nesta quinta-feira (29/10) a 17 anos, um mês e dez dias de prisão pela morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos, em São Paulo. A sentença foi anunciada após dois dias de julgamento.
Durante as sessões do júri, o réu admitiu, pela primeira vez, ter consumido bebida alcoólica na data do acidente. A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado, sem possibilidade de Andrade Filho recorrer em liberdade. A Justiça também determinou que ele fique proibido de dirigir veículos automotores.
Porshe em alta velocidade
O empresário estava ao volante de um porsche quando atingiu a traseira do renault Sandero conduzido por Ornaldo, em 31 de março de 2024, na Avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé, Zona Leste da capital paulista. A velocidade do veículo de luxo foi um dos principais elementos apresentados pela acusação. Segundo laudo elaborado pelo Instituto de Criminalística, o porsche trafegava a aproximadamente 136 km/h no momento da colisão, embora o limite permitido naquele trecho fosse de 50 km/h.
O Ministério Público sustentou que o empresário dirigia sob efeito de álcool e em velocidade excessiva. O júri foi iniciado no início da quarta-feira (28/10) no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo. Das 14 testemunhas arroladas no processo, 11 foram ouvidas ao longo das duas sessões.
Comportamento do motorista e circunstâncias
Os depoimentos abordaram desde o comportamento do motorista antes do acidente até as circunstâncias de sua liberação pelas autoridades e as consequências da morte de Ornaldo para a família.
Até o julgamento, o réu argumentava que não tinha ingerido bebidas alcoólicas na noite da colisão, afirmando que, naquela noite, tinha bebido apenas água. Tal versão, entretanto, foi modificada durante seu depoimento aos jurados, quando reconheceu ter bebido no dia do acidente. “Eu poderia inventar mil desculpas, mas estou aqui entregue a esse plenário, eu acredito na Justiça. Hoje quero dizer a verdade. Confesso, sim, que, no dia dos fatos, eu ingeri bebida alcoólica”, frisou.
Perdão aos familiares da vítima
Ao falar sobre a morte de Ornaldo, o empresário chorou e afirmou que não pretendia provocar o acidente. Ele também pediu perdão aos familiares da vítima e declarou que continuava sofrendo com as consequências do episódio. “Eu imagino toda dor e sofrimento que eles estão sentindo. O seu Ornaldo tinha quase a mesma idade do meu pai. Posso imaginar o que eles estão sentido e toda a devastação”, disse.
Antes do desfecho do julgamento, o advogado de defesa do réu, Jonas Marzagão, questionou a manutenção da prisão de seu cliente. Segundo ele, o empresário recebia tratamento diferente daquele concedido a outros motoristas envolvidos em acidentes fatais na capital paulista.
Críticas à ausência do bafômetro
O defensor sustentou que réus em situações semelhantes respondiam aos processos em liberdade, inclusive quando havia comprovação de consumo de álcool ou fuga do local do acidente.
Na ocasião, também atribuiu a ausência do teste do bafômetro à falta de equipamento na viatura policial. “Ele não fez o bafômetro na ocasião porque a polícia não tinha o aparelho para fazer no momento”, declarou Marzagão.
— Com Agências de Notícias