Da Redação
O Ministério Público Federal (MPF) está apurando questões referentes à ampliação das operações de dragagem do Porto do Recife e possível impacto disso com o aumento da poluição do mar em Pernambuco, o que tem atrapalhado a economia local de pescadores e catadores de mariscos e ostras.
Apesar desses trabalhos serem sazonais, nos últimos tempos vários pescadores denunciaram e mostraram vídeos em que as suas redes retornam cheias de lixo. O procurador Nilo Rayol, do MPF, informou que o órgão investiga o caso e tenta mediar um acordo.“Vamos procurar um modelo possível que permita um desenvolvimento econômico, mas também observando a legislação ambiental e o componente social envolvido”, afirmou ele.
Aprofundamento de canais
Desde o fim de junho de 2026, duas dragas aprofundam os canais no porto para permitir a atracação de navios maiores. Tais equipamentos sugam lama, argila e areia do fundo do canal por tubos, para jogar em alto-mar. Segundo os pescadores, o lixo – acumulado no fundo – também vem junto e se espalha.
O caso tem preocupado vários órgãos ambientais do Nordeste e do país. “Se você conversar com os pescadores, todos vão falar que a draga está afetando 100% eles”, relatou a presidente de uma das colônias de pescadores localizadas na cidade, Sandra Lima.
Direção do porto nega
A direção do Porto do Recife nega que a dragagem esteja prejudicando a pesca. Representantes do porto destacaram que uma grade filtra todo o lixo recolhido, que é encaminhado para aterros sanitários.
O professor Múcio Banja, da Universidade de Pernambuco, entretanto, ressaltou que a poluição é, também, “resultado de décadas de desrespeito ao meio ambiente”. Mas apesar dessas declarações, todas as apurações de ordem técnica estão sendo realizadas sobre a real causa do problema.
— Com Agências de Notícias