Da Redação
O Grupo Casas Bahia anunciou neste domingo (16/08) que entrou com um pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo, com o objetivo de reorganizar as finanças e renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas.
Segundo a empresa, o pedido se tornou necessário diante da piora de sua situação financeira, em meio ao cenário de juros elevados no país — que encareceu o crédito e aumentou os custos financeiros — e ao consumo mais fraco, que reduziu sua capacidade de gerar caixa.
Mais uma tentativa
Essa, no entanto, não foi a primeira tentativa do grupo de reestruturar as finanças e preservar suas operações. Os primeiros sinais da crise surgiram em 2022, quando a empresa começou a registrar sucessivos prejuízos trimestrais, em um cenário que se agravou nos últimos anos.
Os primeiros sinais da crise do Grupo Casas Bahia apareceram no terceiro trimestre de 2022, quando a empresa registrou o primeiro de uma série de prejuízos trimestrais.
Naquele período, a companhia já havia começado a fechar lojas com desempenho abaixo do esperado e enfrentava vendas pressionadas por uma economia ainda enfraquecida pelos efeitos da pandemia de Covid-19.
No fim daquele ano, em meio ao cenário de alta dos juros iniciado em 2021, a empresa já buscava aumentar a rentabilidade e alcançar um crescimento mais sustentável, com foco na geração de caixa. Em 2023, a companhia anunciou seu Plano de Transformação, baseado nesses dois pilares e com previsão de crescimento após 2025.
Vendas digitais
À época, o presidente da Via, dona das marcas Casas Bahia e Ponto (antigo Ponto Frio), Renato Horta Franflin, afirmou que a companhia já tinha adotado uma estratégia de crescimento focado em vendas digitais, além da abertura de novos canais, da expansão de lojas e da aposta em fintechs.
“Nós entendemos que isso tudo foi feito. Construímos uma super plataforma, e ela já é grande. Então, entre investir para crescer mais essa plataforma ou pegar e rentabilizar o que tenho aqui, preferimos ganhar dinheiro com o que tem aqui”, diz.
Recuperação extrajudicial
Mesmo assim, oito meses depois, o Grupo Casas Bahia deu um novo passo na reestruturação financeira e pediu recuperação extrajudicial. A homologação do pedido de recuperação extrajudicial da empresa aconteceu em abril de 2024 e suspendeu, por 180 dias, as execuções movidas por credores contra a empresa.
O processo é diferente da recuperação judicial, porque, no primeiro caso, a companhia em crise financeira recorre à Justiça para negociar com seus credores. Já na recuperação extrajudicial, a renegociação é feita diretamente com os principais credores e, depois, submetida à homologação da Justiça.
O Grupo Casas Bahia é considerado, hoje, um dos maiores varejistas do Brasil e controla marcas como Casas Bahia, Ponto (antigo Ponto Frio), Extra.com.br e a fabricante de móveis Bartira. Também atua nas áreas de logística, tecnologia e serviços financeiros, como o Casas Bahia Pay.
— Com Agências de Notícias