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Zanin, Alexandre e Gilmar votam para julgamento simultâneo de Moraes e Mendonça; Dino pede vista

Há 3 semanas
Atualizado quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Da Redação

O Supremo Tribunal Federal discute nesta terça-feira como proceder com investigações que envolvem dois de seus ministros. A questão central é se Alexandre de Moraes e André Mendonça devem ser julgados no mesmo dia ou em sessões distintas. Ministros como Cristiano Zanin argumentam que analisar Moraes sem examinar antes a conduta de Mendonça criaria uma inversão lógica do processo.

O impasse processual

Cristiano Zanin explicou à Corte que a suspeição potencial de Mendonça pode ter consequências jurídicas significativas. O ministro declarou ao Supremo que reconhecer a suspeição de Mendonça teria desdobramentos legais importantes para o andamento do caso. Para Zanin, autorizar investigação contra Moraes sem antes analisar a legalidade das medidas de Mendonça seria uma decisão prematura e logicamente invertida.

A questão de ordem foi levantada por Gilmar Mendes no início da sessão. Mendes pediu inclusão da análise sobre as irregularidades supostamente cometidas por Mendonça na relatoria do caso do Banco Master. O ministro também sugeriu redistribuição do caso entre membros do tribunal, tirado da relatoria de Edson Fachin.

Votos se alinham pelo julgamento conjunto

Até o momento, três ministros votaram pelo julgamento simultâneo: Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Fachin, presidente da Corte, mantém posição favorável a sessões separadas. André Mendonça, Luis Fux e Cármem Lúcia votaram alinhados com Fachin, contrário ao julgamento conjunto. O placar ficou em 3 votos a 4 para julgamento apartado.

Dois ministros não votarão. Kássio Nunes Marques declarou-se impedido de participar. Dias Toffoli declarou-se suspeito e também não participa da votação.

Durante seu voto, Moraes questionou o rito estabelecido por Fachin. O ministro argumentou que seu caso é semelhante ao pedido que ele próprio fez investigando a suposta conduta irregular de Mendonça como antigo relator. Moraes questionou ao presidente da Corte se há algum pedido formal de investigação contra ele.

As alegações contra Moraes

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro enviou cerca de 50 mensagens para um número atribuído a Moraes entre 2023 e novembro de 2025. Nessas conversas, Vorcaro aparenta ter proximidade com o ministro. Em um trecho, sugeriu ter enviado contrato de R$ 131 milhões para consideração de Moraes. Em outro, buscava informações sobre operação para sua própria prisão.

A Procuradoria-Geral da República pediu anulação do relatório da Polícia Federal que identificou essas mensagens. Paulo Gonet argumentou que Mendonça investigou Moraes ilegalmente ao aprofundar investigação sobre o Banco Master. Gonet também foi citado nas mensagens de Vorcaro, o que adiciona camada de complexidade ao caso.

A defesa de Moraes

Moraes negou em defesa apresentada na madrugada ter cometido irregularidades. O ministro classificou o relatório com as supostas mensagens como inconstitucional e ilegal. Ele destacou que apenas a PGR enviou pedido formal — o de anulação do relatório — e não há solicitação expressa para investigá-lo.

Moraes divulgou em reação um relatório de inteligência da Polícia Federal sugerindo que Mendonça teria direcionado investigações da Operação Compliance Zero contra desafetos políticos. Porém, o documento não é assinado, não traz timbre da corporação e traz alerta de ser conjectura sem valor probatório.

O julgamento foi suspenso após pedido de vista do Ministro Flávio Dino.

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