Da Redação
No primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República nestas eleições, os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentaram poucas propostas e priorizam trocas de acusações e ironias, conforme destacam os principais jornais do país, a partir de avaliação de analistas políticos.
O presidente Lula foi considerado um dos debatedores que, durante a maior parte do tempo, defendeu seus governos e não apresentou planos para um eventual quarto mandato.
O senador Flávio, por sua vez, se recusou a responder às perguntas feitas por Lula e, em vez disso, fazer acusações. Sempre enfatizando que representa a novidade, prometeu mudanças e medidas ousadas, mas ao mesmo tempo sem dar uma única indicação de como fará para implementá-las.
Saldo final
O saldo final foi de um confronto agressivo e tenso, que deixou o desafio feito por Lula a Flávio, próximo do fim do debate, para que sejam abertos os sigilos de cada um e expostos ao eleitorado.
No tema Segurança Pública, primeiro a ser abordado, Flávio prometeu endurecer o combate ao crime organizado e acusou o atual governo de “passar a mão na cabeça” de criminosos. “Vou declarar guerra ao narcoterrorismo”, afirmou. Voltou a dizer que vai classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as milícias como organizações narcoterroristas, e falou em abrir mais 500 mil vagas no sistema penitenciário.
Lula, por sua vez, defendeu a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança como forma de ampliar a cooperação com estados e municípios, e disse que criará o Ministério da Segurança Pública se a medida for aprovada no Congresso. Argumentou, ainda, que fez mais pela segurança do que gestões anteriores.
Vorcaro e Dark Horse
O presidente cobrou Flávio sobre seu voto contrário à ampliação da licença-maternidade para servidores, quando era deputado estadual no Rio. O senador se esquivou e insistiu que Lula respondesse sobre a lobista — que martelou tratar-se de uma questão da PF.
Na sequência, Lula cobrou explicações de Flávio sobre os R$ 134 milhões pedidos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio, novamente sem responder, acusou o presidente de ter discutido, em uma reunião reservada com integrantes do governo, formas de ajudar o dono do Banco Master. De forma irônica afirmou, ainda, que o longa-metragem contava uma bela história e que convidaria o presidente assim que entrasse no circuito comercial de exibição.
Modelo econômico
Lula também questionou Flávio sobre a intenção de adotar o modelo econômico do presidente argentino Javier Milei — e o senador, novamente, saiu pela tangente. O candidato do PL reagiu enumerando as relações de Lula com ditadores latino-americanos, como Daniel Ortega, da Nicarágua, e Nicolás Maduro, da Venezuela, hoje preso nos Estados Unidos.
Ao apresentar suas propostas, Flávio disse que, se eleito, vai criar o Ministério da Prosperidade — mas não explicou o que a pasta administrará. Garantiu que comprará as dívidas dos brasileiros e congelará os pagamentos por seis meses, para pessoas físicas, e um ano, para empresas, em contraponto ao Desenrola, do atual governo. Não disse, porém, como isso pode ser feito, uma vez que tal abono significa abrir mão de arrecadação. Afirmou, também, contar com uma queda rápida da taxa de juro se chegar ao Palácio do Planalto.
Sistema de Saúde
O senador também anunciou o ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein Cláudio Lottenberg seu o escolhido para o Ministério da Saúde, se eleito. E prometeu levar ao Sistema Único de Saúde (SUS) o padrão de atendimento da rede privada. “Quero colocar o padrão Einstein no SUS”, afirmou.
Lula aproveitou a deixa ao questionar o adversário se pretendia privatizar o SUS. O presidente também contestou a experiência de Flávio na área, dizendo acreditar que o adversário nunca foi a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
Terras raras e minerais críticos
No fim do debate, Lula questionou se Flávio pretende entregar as terras raras e os minerais críticos brasileiros aos Estados Unidos, considerando a proximidade que o senador tem com o governo Trump.
Sem responder, o senador citou o tarifaço e acusou o presidente de não defender as empresas brasileiras. O petista, por sua vez, acusou a família Bolsonaro de se subordinar aos interesses norte-americanos — e lembrou que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro vem trabalhando, nos EUA, contra o Brasil.
Gritaria e tensão
O debate chegou ao fim com a tensão no auge. Quando Lula se preparava para arrematar sua participação nas considerações finais, uma gritaria explodiu na audiência. Os moderadores tiveram imensa dificuldade em acalmar a situação.
A jornalista Adriana Araújo solicitou, várias vezes, que Flávio se mantivesse no púlpito a ele destinado. Eduardo Oinegue, num tom de voz mais alto do que o habitual, exigia que a plateia se calasse. De pouco adiantou. O encerramento, inclusive, ocorreu sob gritos e jingles eleitorais dos dois candidatos.
— Com Agências de Notícias