Da Redação
Em meio a uma campanha marcada pelo empate técnico desde o início, os candidatos à Presidência da República agora decidiram apelar para a Justiça Eleitoral com pedidos de candidatura dos seus adversários com argumentos de propaganda irregular e compartilhamento seletivo de conteúdos nas redes sociais por parte da Empresa Meta.
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) pediu nesta terça-feira (20/10) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que anule a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por suposta propaganda irregular em uma conta governamental no WhatsApp. Lula, por sua vez, já anunciou que fará o mesmo contra o senador, nesta quarta-feira (21/10), por suposta interferência da Meta no segundo turno.
“Abuso de poder”
O recurso apresentado ao TSE pelos advogados de Flávio, menciona “abuso de poder” por parte de Lula na suposta difusão em massa de ações do governo em período eleitoral por meio da plataforma. Já o coordenador da campanha do PT, senador Camilo Santana (PT-CE), confirmou que será apresentado ao TSE um recurso por manipulação algorítmica por parte da Meta.
Apesar de a Meta negar as acusações, a empresa admitiu que houve falhas — como a desativação de anúncios da campanha do petista —, que atribuiu a “incidentes” técnicos que não teriam afetado apenas o Brasil. A pedido da Meta, a empresa e os advogados de ambas as campanhas se reuniram nesta terça-feira com ministros do TSE e apresentaram informações sobre o cumprimento de uma ordem sua para que a big tech garantisse equilíbrio aos dois candidatos.
Transparência e igualdade
“Transparência e igualdade entre os candidatos é o que se busca resguardar”, afirmou o ministro Marco Aurélio Bellizze após presidir a reunião, citado em nota do TSE. Na reunão, representantes da Meta afirmaram que estão cumprindo as ordens do Tribunal, no sentido de garantir “o mesmo tratamento aos dois candidatos na distribuição de conteúdos e anúncios eleitorais”.
Após o primeiro turno, a campanha de Lula acusou a Meta de “interferência” nas eleições, por restringir o alcance de seu conteúdo no Instagram e no WhatsApp. Também denunciou que a ferramenta de inteligência artificial da Meta se negava a gerar conteúdo eleitoral de Lula, mas não de seu adversário.
Só candidatos registrados
Entre as medidas adotadas, a empresa afirmou que apenas os candidatos e partidos registrados na Justiça Eleitoral poderiam fazer anúncios em suas redes. O Comitê de Supervisão da empresa, que verifica de forma independente as plataformas do grupo, ressaltou ter constatado “falhas recorrentes” relacionadas a conteúdo sobre as eleições presidenciais no Brasil.
A campanha de Flávio, por sua vez, denunciou uma suposta ofensiva de propaganda negativa impulsionada por seu adversário com a aprovação da Meta.
Quebra de sigilos
Em desafio a Flávio, Lula autorizou nesta terça-feira a divulgação de seus extratos bancário e telefônico, bem como os de sua família, caso o adversário, investigado por suspeita de corrupção, comprometa-se a fazer o mesmo.
Lula confrontou Flávio sobre o caso Vorcaro no último domingo (18/10), em seu debate na TV. O candidato de direita revidou mencionando “Lulinha”, filho do presidente e investigado por tráfico de influência, e afirmou, após o debate, que suas contas sempre estiveram abertas e declaradas.
— Com Agências de Notícias