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kast, presidente eleito do Chile

Kast adota tom conciliador após vitória no Chile e pede apoio da oposição contra crime organizado

Há 9 meses
Atualizado segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Em seu primeiro discurso como presidente eleito do Chile, José Antonio Kast (Partido Republicano), de direita ultraconservadora, adotou um tom conciliador ao pedir apoio de todos os setores políticos, incluindo a oposição, no combate ao crime organizado. Ele venceu o segundo turno neste domingo (14), com mais de 58% dos votos, segundo o Serviço Eleitoral chileno (Servel).

Em sua terceira tentativa de chegar ao cargo mais alto do país, Kast derrotou a candidata de esquerda Jeannette Jara, ex-ministra do Trabalho no governo do presidente Gabriel Boric. Após agradecer aos eleitores, à equipe de campanha e à família, Kast destacou que a vitória representa o início de um novo desafio. “Ajudem-me, todos, para que nestes quatro anos consigamos fazer o bem”, declarou.

Apelo por unidade política

Kast enfatizou a necessidade de colaboração, mesmo entre adversários. “Um governo tem partidários e tem oposição. Isso é normal. É legítimo. Claramente, com Jeannette Jara, temos profundas diferenças”, disse. Ao ouvir vaias da plateia, pediu respeito à rival. “Respeito e silêncio vão marcar nossa gestão de governo.”

O presidente eleito ainda compartilhou um diálogo com um de seus filhos, que lhe perguntou se o mundo seria melhor se todos fossem de direita. “Não necessariamente”, respondeu Kast. Para ele, problemas como o crime organizado exigem esforços conjuntos: “Se vamos combater o crime organizado, precisamos de vocês também. Serei o presidente de todos os chilenos.”

Promessa de endurecer leis contra o crime

Segurança pública foi o principal tema da campanha de Kast, em um cenário de crescente preocupação com a criminalidade no país. Apesar de o Chile ainda estar entre os países mais seguros da América Latina, uma pesquisa do instituto Ipsos mostra que 63% da população apontam a violência como o principal problema nacional.

Os homicídios aumentaram 140% na última década, e os sequestros chegaram a 868 casos em 2024 — alta de 76% em relação a 2021. Kast prometeu endurecer leis penais e afirmou que a “vida vai mudar” para os criminosos. “Para esses delinquentes, a vida vai mudar”, prometeu.

Transição e acordos no Congresso

Ao falar sobre governabilidade, Kast rejeitou a ideia de que o Estado seja um “espólio político” e prometeu construir uma gestão de unidade. “Queremos impulsionar um acordo nacional. Embora digam que não somos bons para acordos, vamos surpreendê-los”, afirmou.

A fala indica que o novo governo buscará alianças no Parlamento, que continua fragmentado. A direita, embora fortalecida, não possui maioria absoluta. Kast, que representa uma direita mais radical que os tradicionais partidos conservadores, terá o desafio de formar pontes tanto com o centro quanto com a oposição.

Eleição marcada por alternância histórica

Desde 2010, Chile tem se caracterizado por alternância entre direita e esquerda no Executivo. O atual presidente, Gabriel Boric, representa uma coalizão de centro-esquerda. Jeannette Jara, sua aliada, venceu o primeiro turno, mas foi superada na etapa final pela união da direita em torno das propostas de segurança e combate à imigração irregular.

A vitória de Kast é simbólica por vários motivos. Representa o retorno da direita ao poder após quatro anos e marca o fortalecimento de uma nova direita mais ideológica e nacionalista. O presidente eleito buscará responder à crescente demanda por segurança sem comprometer os valores democráticos, prometendo governar com firmeza, mas também com diálogo.

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